Biografia

Passados vinte e dois anos de existência, é mais do que chegada a hora de escrever algo sobre mim. O medo de perder a história, os registros, os fatos, este é o verdadeiro medo de morrer.

FAMÍLIA

Nasci pobre e por acaso. Numa terça-feira de carnaval, quando meus pais – trabalhando num bar – correram para o hospital. Enquanto o Brasil sambava, chegava ao mundo um bebê não planejado. Meu pai não poupou lembranças quando, 11 anos mais tarde, no mesmo horário em que eu teria nascido, disse: “hoje é dia 11, novamente uma terça-feira de carnaval, e tu completas 11 anos”. Que pai diz isso a um filho? Um pai engenheiro, é claro. Todavia, o caso de meu pai é singular. Um engenheiro que jamais exerceu a profissão, um demitido-político – que militou nos movimentos estudantis sem jamais exercer algum cargo político (remunerado) que fosse. Em termos de humildade (ou falta de ambição), estou pra conhecer alguém melhor. Ainda assim era um engenheiro, frio, calculista e de sensibilidade pouco visível. Exatamente o oposto de minha mãe. Mais doce que ela sonho de padaria nenhum existe. Quem vê não acredita o quanto apanhei quando criança. Certo é que fui uma criança, digamos, indomável. Mas todas as lições foram válidas. Meu inabalável senso de responsabilidade devo a ela, a suas cobranças. Ora, dificuldades não faltavam. Nossa família era pobre. Dentro do planejamento ultra-racional de meu pai, fomos crescendo, aos passos lentos (haja paciência), com muito trabalho de todos. Inclusive (ou sobretudo) de minha vó. Ela morava conosco, costurava, trabalhava no sindicato dos sofridos mineiros da região. Não precisa pensar muito para concluir que o zelo com que cuidou de mim e deu meu irmão é incomensurável. Ah, sim, meu irmão. Para ser direto ao ponto: ele é autista. Falta-me ou palavras ou páginas para dele falar. Envolto em suas contradições e compreensões próprias, ele vive num mundo inconcebível e/ou inacessível. Sinto-me um velho, que só depois de anos, talvez por mais nada lhe restar, se apega a família. Melhor foi que um tal sentimento me tocou cedo. A instituição família merece destacada importância educacional, política e, enfim, sociológica. Uma oportunidade que não tive foi a de viver perante uma família grande e unida. Serve de aprendizado. Por isso terei 10 filhos, donde uma grande história surgirá.

URUSSANGA

COLÉGIO

OS PRIMOS

CLUBE DOS CLUBES

PRIMEIROS AMIGOS

MUDANÇAS DA ADOLESCÊNCIA

COMPUTAÇÃO OU FILOSOFIA?

Minha maior ironia foi a seguinte: jamais existiu jovem tão determinado quanto eu. Aquela dúvida teimosa do que vou ser quando crescer nunca bateu na minha porta. Sempre soube muito bem o que queria. Desde criança, desde que desisti ser astronauta, em primeiro lugar, e ser jogador de futebol, em segundo, desde que minhas fantasias lunáticas de futurismo se pusessem em combinação com a perfeita lógica dos raciocínios retilíneos, desde então tive certeza que seria um cientista da computação. Enquanto todos os amigos, não sei se por crise existencial de adolescência ou se por puro charme, se viam na dúvida do que prestar ao vestibular, eu estava certo da minha vocação. Minha capacidade em tratar com os códigos de programação – as hacker comunity a que pertencia, os jogos que vencia, tudo confirmava. Tudo, menos a literatura. Eis que o jovem Leandro começa a ler filosofia britânica. Sinceramente, esses livros em tempo nenhum chegaram a minha casa. Contanto o bom nível cultural de meus pais, filosofia que chegava lá em casa, sinceramente, pouco passava de religião, seja católica, seja espírita. Hoje me é agradável pensar que os pensadores entraram em minha vida através das teias da rede mundial. Sim, a internet foi, em certa parte, responsável pela ironia. Comecei a pesqusar sobre ateísmo, ceticismo. Minha experiência teológica certamente não era recente. No entanto, ler – e isso fez toda a diferença – os filósofos me causou uma admiração sem igual. A grande ironia foi o jovem mais determinado de Urussanga, aquele de futuro mais previsível, justamente ele ver suas convicções desequilibrando-se frente ao inusitado. Isto foi acontecer já no último ano do colégio, no chamado terceirão, a época da vida em que as pessoas abandonam o colégio para tentar estudar na Universidade. Em nível de importância, de todas as escolhas que já tomei, essa foi a mais decisiva. A filosofia me mudou de cidade, de mundo e de mim mesmo.

ILHA DA MAGIA

SER OU NÃO SER?

ESAG

“Administração Pública? Vamos ver no que dá”. Mais ou menos isso, pensei naquele dia, nunca esquecerei. Eu diria que a ciência da computação vinha deixando de ser, para mim, um fim em si mesmo. Influência, sem dúvida, do meu tio. Com seu pragmatismo sensacional, ele só conseguia ver o computador como um instrumento. Restávamos eu, a filosofia e umas horas de sobra – quais deveria ser ocupadas. Ainda era tempo para me inscrever para o vestibular de inverno. E “por que não estudar História?”, supus. Pesquisando pela página

Dá-lhe, destino: entrei na ESAG com pretensões eminentemente teóricas e saí presidente da federação nacional dos estudantes.

ALICE

FENEAP

O PRIMEIRO LIVRO

MESTRADO (FGV?)

DEMOCRACY IN AMERICAN DREAM

PROFESSANDO A ERA DA EDUCAÇÃO

DOUTORADO

10 Respostas para “Biografia”

  1. Laís Diz:

    Le…

    Adoro tudo que escreves. Continua escrevendo tua biografia.. Uma parte, em especial, estou muito ansiosa para ler.

    Amigo.. és uma pessoal muito especial e lendo tudo isso que escreves.. minha opinião sobre teu caráter só se fortalece.

    Admiro-te muito!
    Bjs

  2. Lara Diz:

    Amei o seu bolg continue assim,tu merece,você é um amigo de OURO!!! ;* bjãooo

  3. João Luiz Pacheco Diz:

    Demais Leandro! Simplesmente maravilhoso o blog…

    Não apenas pelo medo de perder um pedaço dessa história maravilhosa que merece ser contada… Mas sem dúvida também pela inspiração que ela nos causa, e pra quem nao conhece a figura eh uma oportunidade de ouro^^ ahueha
    Além disso e de muitissísimas outras coisas, é inegável que aliado à muito pra contar – e quiçá ainda terá muito mais – a linguagem do Leandro é, e se torna dia a dia mais sofisticada.

    Vou ficar de olho por aqui ^^
    Um grande abraço fraterno!

  4. Lara Diz:

    Leandro ameei demais o seu blog,sua história,tudo que voce ensina através do blog apredi algumas coisas nesse blog.E especialmente com você amigão nota mil.
    Não tenho palavras para dizer sobre a nossa amizade e o carinho que sinto por você. Adoro Você

    Bjs ;*

    PS Nunca deixe esse bolg para trás porque eu adoreei!!!!

  5. Lara Diz:

    Blog nota 1000000 O MELHOR

  6. tia gi Diz:

    foi grande a emoção ao ler, você é de ouro meu lindo sobrinho,tenho muito orgulho bjs

  7. Diz:

    Sou tua fã. Não me conheces mas gosto muito de ler o que escreve.

    um abraço!

  8. Ricardo Matheus Diz:

    É guri, tu tens talento pra coisa. continua escrevendo esta maravilhosa biografia porque a vida é um livro e pelo visto ainda vou ler muitas belas páginas de teu livro.

    Grande abraço!

  9. Bia Diz:

    estou esperando continuares!! Adorei o que já li

  10. Maria Julia Diz:

    Querido amigo,
    Estou muito orgulhosa de ter feito a graduação na ESAG/UDESC com você, pois lembro sempre de nossas reflexões e conversas sobre o ser político e o técnico na Gestão Pública brasileira sob uma nova pescpectiva de co-produção do bem público.
    Por isso digo que hoje a palavra que podemos definir como norte é… SUPERAÇÃO.
    Obrigada por também acreditar neste país, ou seja, nosso país amado BRASIL.
    Beijos, saiba que aqui sempre terás um ombro amigo para dialogar.
    MARIA JULIA LEITE HULMANN
    ADMINISTRADORA PÚBLICA – ESAG/UDESC – CRA 18556

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