Arquivos para a Categoria ‘CCC’

El fin

16 Novembro, 2009

De repente fui pego portando uma xícara de café. Assalto à mão armada. A manhã era de primavera, mas o café estava quente feito verão no inverno. Que saborosas as primeiras horas da manhã! Quanto mais recheadas com manteiga e cobertas por puro silêncio. Só o silêncio e estava tudo quase perfeito em São Paulo. A cidade tem vida, pulsa cultura. Mas o barulho é de, às vezes, golpear a estima. Tenho escrito um pouco. Que é pouco? me há de perguntar alguém. Toda medida ganha sentido apenas e somente apenas quando comparada. Assim é o centímetro comparado ao metro; assim é sol e lua, o dia e a noite; assim é Celso, fará night? Enfim… – minha comparação é com o futuro. Pois jamais escrevi com tanta freqüência. E no próximo ano, ao que tudo indica, a freqüência se elevará a proporções inimagináveis.  Fosse comparado ao passado, diria: estou escrevendo muuuito. Mas o que é o passado, esse conjunto de hojes que permaneceram em um conjunto de memórias? Muito em breve, aquelas memórias deixarão todas de ser, e aquele passado específico já nunca existiu. Enfim… – uma alma errante bem podia também me indagar indiscreta: mas se você tá escrevendo tanto, por que não posta mais? Filho meu, a maturidade tem a única serventia de ensinar que as coisas são menos simples do que aparentavam. Mentira. Mas a gente costuma contar essa mentira para os fracos não se suicidarem em massa. Enfim… – as coisas que tenho escrito não são do tipo que se publica em blogs. São textos acadêmicos ou teóricos-não-acadêmicos, se é que me entendem, e é claro que não entendem. Também alguns textos literários engavetados virtualmente dentro do hard disk. Por lá devem ficar de castigo, até aprenderem a ser feliz na solidão – o destino certo dos corpos encaixotados no submundo. É hora de tomar o último gole. De repente o café esfria e tudo terá acabado. Mais uma vez, a verdade será dita não em princípio, mas em fim.

Resta CCC?

18 Maio, 2009

Como se quisessem desafiar um futuro inevitável, os dias caminham velozmente. Tempo, tempo, impiedoso tempo: o fundamento da nossa experiência, o determinante de nossa compreensão, a base sólida e supérflua do mundo. Já contava a mitologia grega que Chronos castrou seu próprio pai, tornando-se imperador. Até hoje ele governa nossas mortes, engolindo um a um seus pobres filhos. Aprendamos! Nossa batalha é contra o tempo.

Se no futebol quando criança
começava por vezes no banco o jogo,
levemente uma dúvida se me aproximava:
- Você merece?
Hoje nos estudos sorrio de canto
ante a felicidade da compreensão
É como Nietzsche que tristemente
previa sua releitura em breves épocas.
Quem sabe até mesmo estas linhas…
conquanto tortas, escritas por Zeus,
que contra Chronos me ponho a viver.
A cada insight uma justa comemoração.
E a cada dia sobre o qual s’acumula a produção
imediata vem a certeza que essa vitória é minha.
Assim não fosse, ignoraria
os díspares desejos que duelam justo aqui.
Por que não sei
a cada vez menos sentido para o blog eu vejo.
Mas agora descobri:
o culpado é deus Chronos.

(Jordan Secaff)

CCC = Coragem Contra Chronos.