Papai Nobel distribuiu seus prêmios para a imortalidade de alguns mortais. Momento de festa. Só que neste ano, uma festa tão mais invejada e criticada. Surpresa maior foi Obama vencedor do prêmio da Paz. Banalizou o prêmio, mas foi politicamente interessante. Nas sempre belas palavras de Saramago encontrei a melhor definição da oferenda: foi, a bem da verdade, um “investimento” no presidente com maior peso nas negociações internacionais. Quer queiram quer não, um dia nós admitimos que o atual globo terrestre fosse divido por estados nacionais. E assim a história vem caminhando em um ritmo considerado legítimo, ainda que muitos consigamos acompanhá-lo somente com ajuda de psicoterapeutas. O prêmio de literatura também espantou os críticos de plantão. Muitos dentre melhores nem sequer haviam lido a senhora Herta Müller, aguçando ainda mais a curiosidade para, enfim, conhecer sua obra. Deixemos de lado os outros prêmios, pois vim aqui para falar do prêmio de economia. Não para falar muito, e sim para deixar registrado um sentimento de ausência. Desta vez não um, mas dois economistas do estilo “institucionalista” ganharam o prêmio Nobel. É a primeira vez que vi ganhá-lo um autor já citado por mim. Apesar de surpreso e, até diria feliz, fiquei com uma impressão sinceramente, sei lá, vazia. Legal o trabalho de Ostrom: pesquisas redondinhas, cientificamente rigorosas e relevantes. Mas um olhar mais geral não aponta nenhuma inovação teórica. É mais do mesmo. Digo isto apenas no sentido amplo, sem desmerecer o trabalho dos vencedores. Porque o chamado neo-institucionalismo é um acréscimo tão pequenino na teoria econômica, que… ok. Possibilitou um montão de pesquisas empíricas novas e importantes e tudo mais. Mas vejam: os atuais vencedores nem foram os primeiros laureados com o Nobel a utilizar a teoria neo-institucional. O Nobel é só isso?
Talvez porque, antes, eu desconhecia antecipadamente os ganhadores, permanecia neles alguma cortina mística de genialidade. Talvez. Eu é que não deveria esperar tanto de um prêmio Nobel. Seu propósito nunca foi outro senão conferir honrarias à contribuição científica paradigmática. Pode ser que as grandes transformações científicas jamais sejam laureadas com um Nobel. E que bom que existe um Nobel. Tem mais é que incentivar os engenheiros da ciência.