Arquivos para a Categoria ‘Ciência’

Sobre o Prêmio Nobel

13 Outubro, 2009

Papai Nobel distribuiu seus prêmios para a imortalidade de alguns mortais. Momento de festa. Só que neste ano, uma festa tão mais invejada e criticada. Surpresa maior foi Obama vencedor do prêmio da Paz. Banalizou o prêmio, mas foi politicamente interessante. Nas sempre belas palavras de Saramago encontrei a melhor definição da oferenda: foi, a bem da verdade, um “investimento” no presidente com maior peso nas negociações internacionais. Quer queiram quer não, um dia nós admitimos que o atual globo terrestre fosse divido por estados nacionais. E assim a história vem caminhando em um ritmo considerado legítimo, ainda que muitos consigamos acompanhá-lo somente com ajuda de psicoterapeutas. O prêmio de literatura também espantou os críticos de plantão. Muitos dentre melhores nem sequer haviam lido a senhora Herta Müller, aguçando ainda mais a curiosidade para, enfim, conhecer sua obra. Deixemos de lado os outros prêmios, pois vim aqui para falar do prêmio de economia. Não para falar muito, e sim para deixar registrado um sentimento de ausência. Desta vez não um, mas dois economistas do estilo “institucionalista” ganharam o prêmio Nobel. É a primeira vez que vi ganhá-lo um autor já citado por mim. Apesar de surpreso e, até diria feliz, fiquei com uma impressão sinceramente, sei lá, vazia. Legal o trabalho de Ostrom: pesquisas redondinhas, cientificamente rigorosas e relevantes. Mas um olhar mais geral não aponta nenhuma inovação teórica. É mais do mesmo. Digo isto apenas no sentido amplo, sem desmerecer o trabalho dos vencedores. Porque o chamado neo-institucionalismo é um acréscimo tão pequenino na teoria econômica, que… ok. Possibilitou um montão de pesquisas empíricas novas e importantes e tudo mais. Mas vejam: os atuais vencedores nem foram os primeiros laureados com o Nobel a utilizar a teoria neo-institucional. O Nobel é só isso?

Talvez porque, antes, eu desconhecia antecipadamente os ganhadores, permanecia neles alguma cortina mística de genialidade. Talvez. Eu é que não deveria esperar tanto de um prêmio Nobel. Seu propósito nunca foi outro senão conferir honrarias à contribuição científica paradigmática. Pode ser que as grandes transformações científicas jamais sejam laureadas com um Nobel. E que bom que existe um Nobel. Tem mais é que incentivar os engenheiros da ciência.

Ciência

10 Março, 2009

Tanta coisa nova acontecendo e, infelizmente, não as tenho registrado. Acho que todo curso de mestrado costuma ser corrido, com pesadíssima carga de leitura. Na FGV não é diferente; muito pelo contrário. Na semana passada houve a aula magna com o presidente da SBPC. Pouca gente sabe de que trata. É a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que no estilo da sua versão americana, é uma entidade social que, formada em grande parte por cientistas, debate e defende as políticas para ciência e tecnologia.

Há não muitos anos aconteceu em Florianópolis a 58º reunião da SPBC e foi gigantesca; ocupou todo o campus central da UFSC. À época, fui monitor, quer dizer, o rapaz que vestia um colete verde-limão ridículo e cuidava dos aparelhos de uma sala com palestras de mecânica de fluidos (ou algo do gênero). Esse trabalho, ora entediante, ora intrigante, de ficar assistindo os engenheiros (que conheciam de retroprojetor bem melhor do que eu) e seus respectivos cálculos e teorias, me permitiu assistir a toda programação científica, inclusive participar de um mini-curso de sociologia econômica, que, eu diria, muito contribuiu para meu pensamento econômico.

Voltando ao assunto da aula magna, o presidente fez o papel institucional, defendendo e justificando a Sociedade, e durante essa argumentação, desenhou o trajeto histórico das grandes instituições científicas brasileiras. Dentro elas, incluam as maiores universidades, o BNDS, a FINEP. Interessante notar o correlação entre a reforma universitária do período militar, pondo fim ao sistema catedrático em detrimento de departamentos. Isto vai dar uma boa discussão! Digo: uma discussão do ponto de vista da gestão universitária, tanto em sua relação de eficiência como de ambiente para a ciência, um ambiente que envolve certamente toda uma tradição. Principalmente em ciências mais clássicas e puras, como Física, Biologia.

Há muita mais história política por trás da ciência do que se poderia previamente imaginar. Tudo porque há uma clara função social da pesquisa e da publicação científica. Alguns blogs mostram como, em Portugal, a divulgação científica é debatida. Um assunto quase despercebido por aqui. Quem se preocupa em transmitir o conhecimento científico para o público não científico? Lembro que a Super Interessante cumpria um pouco essa tarefa. Mas há outras mídias. Evidentemente, aproximar a ciência da sociedade não é somente para as crianças. Mas também para o setor empresarial, que cada vez mais necessita das tecnologias e ciências acadêmicas. Esse assunto já é batido para quem estudou em Florianópolis, tantas são as incubadoras e cursos tecnológicos. Para “agravar”, tive aula de governo eletrônico com o criar do Portal Inovação. Não é novidade pra ninguém esse “boom” tecnológico em Floripa, um assunto que certamente merecerá outros posts.

Crítica científica em Administração Pública

3 Março, 2009

Um pequeno artigo que todo estudante de ciência política e administração pública deveria ler. Eis este paper de Regina Pacheco. Ela aponta o dedo para uma série de fragilidades a ser superadas nas revistas científicas RSP, RAP e Encontros da ANPAD. Vale salientar, antes que comecem a ler, o artigo foi escrito em 2002. De lá até hoje, houve bastante avanço. É legal essa autocrítica científica.

Livros de pop science

22 Outubro, 2008

A Physics World divulgou uma lista com os 10 melhores livros de pop science:

1. “A Brief History of Time”, Steophen Hawking, 1988.
2. “The Elegant Universe”, Brian Greene, 1999.
3. “A Short History of Nearly Everything”, Bill Bryson (2003)
4. “Longitude”, Dava Sobel (1996)
5. “The Physics of Star Trek“, Lawrence Krauss (1994)
6. “Strange Beauty”, George Johnson (1999)
7. “Just Six Numbers”, Martin Rees (1999)
8. “The Emperor’s New Mind”, Roger Penrose (1989)
9. “What do you Care what Other People Think“, Richard Feynman (1989)
10. “The Trouble with Physics”, Lee Smolin (2006).

A Breve História do Tempo é bem famoso, mas nunca li. Você já leu algum deles?