Arquivos para a Categoria ‘Cultura’

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29 Junho, 2009

Semana concorrida no noticiário, e eu aqui quietinho. Antes que o mês termine, permita-me comentar um pouco sobre os acontecimento no mundo. A começar pelo Michael Jackson, tenho que confessar uma coisa. Não, eu não sou fã dele. É quase o contrário. Eu nem imaginava que ele representava TANTO para uma geração. Talvez a morte tenha mesmo essa característica de mensurar o valor de uma vida, como de alguma forma Hannah Arendt deixa a entender, quando fala sobre a imortalidade. O ato de heroísmo e coragem maior seria perder a vida em nome da imortalidade – algo como Aquiles, que deixou a vida tranqüila, o casamento e a felicidade em nome de uma guerra que lhe trouxesse a morte e a glória imortal.

Michael Jackson significava para mim uma pessoa que trocou de cor e que dançava. Nada além disso. Mas a repercussão de sua morte revela mais. Diz-se que ele vendeu mais discos do que os Beatles. E que a Madonna. Isto impressiona. Muito. Perdido em minha ignorância, eu nem sabia que aquela música (descobri o nome, é Thriller) era de Jackson. O cara representou legal uma geração. Mas não representou a geração dos que nasceram, por exemplo, em 86. Não mesmo. Um ou outro gostava ou tornava-se fã. Outlier. Um deles é meu amigo. Veja aqui.

Mudando de assunto, os escândalos no Senado permanecerão durante alguns meses na mídia. É bacana ter mídia em cima do Congresso, não é? Fiscalizando os representantes, noticiando as decisões políticas. Realmente. Porém – e sempre tem um porém, porque sem poréns a vida seria chata – o jornalismo político continua fraquinho. Já foi pior, é verdade. Mas nossos jornalistas ainda conhecem pouco sobre as instituições. Para dar um exemplo, vejam essa pesquisa. De todas as notícias sobre educação, apenas 3% tocam no assunto “orçamento”.  Eu já vinha notando isso. A cobertura na área educacional é péssima. A maior parte das notícias que recebo do Globo e da Folha são releases enviados por instituições de governo ou universidades. Notícias como divulgação do vestibular. Só a ponta de iceberg.

Seria demais esperar dos jornalistas conhecimentos sobre o jogo federativo, as relações intergovernamentais, a coordenação da política educacional? Creio que não. Quer dizer que eu concordo com a recente desobrigação dos diplomados em jornalismo exercerem a função? Não necessariamente por isso, mas concordo. A formação do profissional é importante, mas não é critério único de avaliação. As declarações dos jornalistas em algumas redações só afirmam o que todos já imaginavam: caiu uma lei que não era cumprida. Mais ou menos na linha desse texto bem formadinho (escrito, aliás, por uma não-jornalista ainda).

Esse post ficou meio que por desencargo de consciência. Michael Jackson e Diploma de jornalistas em um só post, pra não dizer que não falei. Isto porque o Sarney se livrou desse. Não me entusiasmo em bater no Sarney, como o fazem os blogueiros mais populares. Acho que Sarney tomou a decisão errada há alguns meses, quando saiu candidato ao Senado. Ah, se nossos parlamentares soubassem usar o poder do Congresso…

Virada Cultural

30 Abril, 2009

Das 18 às 18 horas, em tudo quanto é praça da cidade, eventos culturais.

De Wander Wildner a Maria Rita; de Marcelo Camelo a Velhas Virgens; de Nação Zumbi a Reginaldo Rossi; de Roots Reggae a Zeca Baleiro.

Que projeto complexo esse da Prefeitura de São Paulo!

Melhor clicar logo aqui e conferir.

MAGMA: programação alternativa na rádio comunitária

1 Dezembro, 2008

Para quem gosta de novidade sobre música, cinema, cultura pop (clássica ou contemporânea), vale a pena conferir MAGMA, o programa que o Doc Lee estréia nesta terça-feira, às 20h na Rádio (comunitária) Urussanga.

Não precisa morar lá para sintonizar a 104,9. Para ouvir online é fácil: http://www.urussangafm.com/

Crise na tradição

1 Dezembro, 2008

A tradição é fundamental, a ponto de sem ela nada sermos. Com freqüência, no entanto, ela precisa ser posta em xeque.

Poucas crenças se apegam tão fortemente à tradição quanto às religiosas. Eis o terreno onde o senso crítico encontra pouco lugar. O objetivo de preservação das crenças, o típico objetivo religioso, é por essência conservador. A isto se associam símbolos para manutenção do status quo: rituais, cargos, alegorias maniqueístas. Nada é tão conservador quanto o maniqueísmo!

Até mesmo aqueles conhecimentos metodicamente investigados, considerados mais sólidos – os científicos – apresentam fundamentos refutáveis. Nem sempre um bom cientista gosta de provocar estes debates. Especialmente a física contemporânea assume hipóteses tão metafísicas, sobre objetos (prováveis, mas) inobserváveis, que Descares ou Bacon se entreolhariam desconfiados. A história mostra como os maiores avanços científicos surgiram em momentos de refutações teóricas. Além disso, é sempre válido destacar o impacto social da ciência, assim como Horkheimer e Adorno alertaram para a redução ontológica do iluminismo, aquele momento que os homens pensaram iluminar o mundo com a razão, mas trouxeram as trevas de uma sociedade de consumidores massificados.

Acontece exatamente o mesmo na educação para a prática. Situações inesperadas, de risco ou conflito, impulsionam a reflexão. São estes momentos importantes para o exercício da resolução de problemas. A este respeito discorreram teorias eminentes pensadores da educação, como John Dewey e Donald Schön. Não se trata de repetir a técnica acabada – aquela receita de bolo (que muitas vezes é de enorme utilidade) – mas sim de criar nova teoria a partir das experiências e contextos.

Por favor, antes de me apontarem os olhares sentenciosos, deixem-me esclarecer algo: não sou contra o caráter conservador no ensino. Concordo que existe um aspecto de “aculturação” na educação – sobretudo em relação à educação infantil. Sem dúvida, crianças nascem bárbaras e precisam sofrer um processo civilizatório de recepção dos valores, normas e conhecimentos. E esta é uma das faces alicerces da educação. Seríamos tolos se acreditássemos apenas nesta face.

Nas instituições, a tradição também ocupa a dupla personagem vilã e heroína. Quando o respaldo pesa sobre as decisões; quando o prestígio da marca exige cobrança, a tradição se mostra fator decisivo. Mas quando a tradição se reverte em conformismo e estagnação, impede encontrar os melhores meios e fins.

É sustentável afirmar que nossa época vive uma crise da tradição. Porque, como todo humano, sustentamos tradições. Porém já não sabemos quais. Quando sabemos, não conseguimos compreendê-la à luz da experiência contemporânea. Não é a realidade que deve se encaixar na teoria. E quando o contrário não ocorre…