Arquivos para a Categoria ‘Educação’

Educação e Jornalismo

23 Agosto, 2009

epocaBasta ler as duas últimas Épocas para observar a relevância atribuída à política educacional e à gestão escolar. Não se trata de um detalhe. Na última edição foram 16 páginas de reportagem especial.

Em foco estava o Enem. Seleção para universidades chegando, assunto em pauta. Quando li, a vontade imediata foi criticar a reportagem pelos erros, pelo consultor entrevistado, pelas explicações inválidas sobre a diferença entre os estados. Falta qualidade na análise. E é perigoso quando isso acontece. Porque os números confortam de algum modo o leitor, porquanto sua análise pretende com algum grau de validade científica. Uma análise equivocada causa distorções na informação que o cidadão receberá.

Além disso, avaliações como o Enem são polêmicas. Há alguns setores da política que, às vezes de maneira irresponsável, descem a lenha em avaliações externas. De fato, as avaliações, se mal interpretadas, podem vir a se tornar contraproducentes.

Ainda assim, a reportagem da Época superou as expectativas. E por isto a reação de criticar foi apenas imediata. Logo depois resolvi escrever elogiando e parabenizando a redação. Veja e Época, ainda que concorrentes, as duas revistas semanais enfrentam corajosamente a dificuldade jornalística de comunicar sobre a política educacional, abrindo cada vez mais espaço em suas redações.

Verdade que essas reportagem demandam rigor analítico. Mas estão elas anos-luz a frente das reportagens dos jornais diários. Entre esses, Estadão um pouco, não muito, melhor do que os outros. Em geral são repassadores de press releases. Para tudo há um começo. Ex nihilo nihil.

A melhor escola pública paulista no ENEM

4 Maio, 2009

Muita gente sensata detesta pensar que o sistema educacional precisa de heróis. Heróis como aquele professor à mil léguas de distância em competência ou como aquele diretor cujo talento isolado e trabalho incansável faz toda a diferença em uma escola.

Realmente, o sistema educacional brasileiro possui estrutura, história e capacidade para não depender do imprevisível. As escolas deveriam funcionar com profissionais médios e não com heróis.

Mas o diretor da escola pública melhor avaliada no ENEM do Estado de São Paulo faz um alerta. Entrevistado, disse que a única saída é um ou outro herói. Ele repudia eleição para diretor de escola e imposições políticas dos secretários de educação; conta um pouco da sua gestão, defendendo avaliações e diagnósticos técnicos.  Veja lá. É uma entrevista reveladora que deixa perguntas importantes no ar.

Federalizar o ensino médio?

4 Maio, 2009

Se compararmos a nota média das escolas públicas federais no Enem com as estaduais ou municipais, teremos 63 contra 47 de um total de 100 pontos. Isso levou o Senador Cristovam Buarque a acreditar que “não há saída para a educação brasileira a não ser através da federalização das atuais escolas públicas municipais e estaduais”.

Qual o erro do argumento de Cristovam?

Especialmente nosso problema

24 Abril, 2009

Como nenhuma outra geração na história universal, a nossa juventude viveu, rapidamente, uma ruptura extrema de valores. Dentre os milhares de anos em que a civilização humana habitou este planeta, foi há menos de 20 que experimentou a internet, isto sem o que nossa vida perderia grande parte do significado.

As mais variadas tecnologias com as quais cotidianamente convivemos não apenas eram inimagináveis há alguns séculos, mas talvez indesejáveis. Não seria exagero dizer que pela primeira vez nasceu uma geração perdida. Somos uma geração cuja tradição não exitou educar. O conhecimento não se passa mais do passado para o presente. Porque nossos pais sabiam menos do que nós ligar um computador ou um aparelho celular.

Se a ligação entre o passado e o futuro, essa ligação que somos nós, já dificultosamente encontra sustentação no passado, então há uma crise inevitável na tradição. Como usar os velhos conceitos para explicar o presente? Precisamos readaptá-los.

É assim que se vê a ascensão de palavras como a democracia eletrônica, e-service, e-gov, e-commerce e tantos outros. Conceitos assim cada vez mais revelarão o nosso tempo e criarão bases sólidas para uma nova tradição, que só podia ser construída da nossa geração para frente.

Quais as conseqüências sociais dessas novas teorias e ferraemntas? O ensino à distância, por exemplo, seria uma alternativa para melhorarmos o desempenho educacional?

Vejamos o Brasil: um país com avanço educacional muito lento em relação a outros países. Mesmo sendo o país mais rico da américa latina, o Brasil perde para Argentina e para o Chile nos índices de analfabetismo. O mais agravante, no entanto, é o analfabetismo funcional (saber ler, mas não conseguir interpretar o texto). Para cada 10 brasileiros, 7 são analfabetas funcionais. Quantos não são os analfabetos digitais! Eis uma nova preocupação. Mais uma dessas novidades da nossa geração.

Já que o passado não conseguiu nos educar, lancemos mão do futuro. É importante lançar o pensamento para longe. Nem que seja para investigar as possibilidades e conseqüências de uma ação. Este post é dedicado ao Movimento Blog Voluntário, na sua luta contra o analfabetismo digital.

Avaliação e Educação

2 Abril, 2009

Gostaria que algum amigo lesse essa reportagem para iniciar um debate. É só escrever um pequeno post para ser publicado aqui, e vamos discutindo por comentários. Alguém se candidata?

Primeiras medidas de Obama

22 Janeiro, 2009

Após o discurso de Obama (na posse), observamos as bolsas imediatamente despencando. Teria o mercado ouvido com maus ouvidos os versos presidenciais? Não acredito. Ao contrário, o discurso de Obama satisfaz as necessidades do mercado, porque demonstra pragmatismo nas decisões, rompendo as velhas ideologias. Na prática, as medidas são duas. Pacote de investimento em infra-estrutura  e corte de gastos públicos. Calma lá! Para se entender bem, é válido lembrar que os investimentos não serão úteis apenas por movimentar imediatamente a economia, gerando contudo sustentabilidade logística ao longo prazo, nem por salvar indústrias; além disso, o fomento será mediado por critérios sócio-ambientais com fins de mudar o padrão energético, a diminuição de CO2 e a distribuição de riqueza. Da mesma forma, o propósito do corte de gastos não é apenas riscar do orçamentos programas públicos gordurosos, mas sim promover maior controle social e tecnológico da gestão, com fins de dimiuir o desperdício. Bem provável que mudanças significativas apareçam no sistema de saúde público americano, o qual Obama censura como ineficiente. Alguém o conhece?

Hoje, no primeiro dia de governo, ele começou a pôr em prática 4 medidas em favor da promessa por transparência:

  1. Estabeleceu quarentena de dois anos para qualquer assessor que deixar o governo dele (para não traficar influência).
  2. Limitou o acesso de lobistas a alguns “corredores de Washington.
  3. Congelou os salários dos seus principais assessores, além de outros cargos do governo.
  4. Proibiu a troca de presentes entre lobistas e servidores públicos.

4 medidas via.

Ensino médio e profissional integrados

8 Janeiro, 2009

Um tantinho atrasada essa notícia depositada no underground dos meus feeds. Criei a pasta educação para receber diariamente um montão de informações sobre o assunto, das mais diversas fontes – sejam elas jornalísticas, sejam governamentais. Certo é que muito lixo toma carona. Notícias como divulgação de vestibular, de cursos técnicos etc. Banais para mim, útil porém a outrém.

Nossa geração parece ter-se acostumado a tratar com indiferença os megabytes de lixo virtual. Se é cada vez mais difícil para uma informação ganhar destaque, por outro lado, quando isso acontecesse, ela facilmente é compartilhada pelas variadas mídias. Da agência de notícia, foi para o portal online da globo, do qual recebo notícias em feed; do Google Reader ele já veio aqui direto para o blog.

Essa divagação desnecessária com certeza já ofuscou a notícia. Fosse eu um jornalista, receberia um puxão de orelha. Não sendo, contento-me com meu blogger way of writer.

A novidade é uma intenção do MEC em integrar o ensino médio à educação profissional. Há um debate interno entre o coordenador-geral (o hífen continua, nem tal caso) de ensino médio e o Conselho Nacional de Educação, para efetuar mudanças nas diretrizes curriculares do ensino médio. Veja a notícia na íntegra.

Ideia (agora sem acento) parece ótima. Não esqueçamos, porém, as dificuldades de torná-la funcional: o erro mais comum entre os formuladores de políticas públicas: idealizar a política sem preocupar-se com o complexo aparato burocrático e social para colocá-la em prática.

Verdade que, nas últimas décadas, o Brasil obteve melhorias significativas na gestão educacional, sobretudo no que se refere ao acesso dos jovens ao sistema. É mais do que hora de pensar na qualidade e no significado prático da educação. Quero dizer, para um jovem não seria apenas mais confortável para sua aprendizagem ter aulas sobre assuntos cotidianos que lhe façam sentido, mas também lhe seria profissionalmente mais válido.

Aí uma comissão interministerial formada para reestruturar o ensino médio apresentou uma carta a Lulinha sobre. Alguém sabia da existência dessa comissão, formada há um ano? Queria ver a carta.

A primeira mobilização contra cotas

10 Dezembro, 2008

Um infeliz temporal se formou há apenas 30 minutos do início da Mobilização, de modo que tivemos de transferí-la para dentro da Concha Acústica da UFSC.

Inicialmente, colocamos as placas pelo chão da Concha. Vejam:

Eco-placas, confeccionadas com guache e papelão!

Mesmo a pancada de chuvas, o pessoal começou a chegar, quando dois grandes imprevistos aconteceram. Responsável pela Concha, a Secretária de Artes da UFSC não permitiu que utilizássemos a energia, “porque somos a favor das cotas, é uma questão ideológica”, disse ela.

Depois disso, seis policiais militares foram enviados (não sabemos por quem), e conversaram de modo nada amistoso sobre a proibição de ligar o som.

Na saída, pessoas caminhando na rua nos paravam para tirar fotos. O vídeo abaixo mostra melhor:

Apesar dos pesares, a primeira experência foi válida. Atingimos o objetivo de chamar atenção da mídia e dos políticos. O principal jornal impresso de Santa Catarina publicou esta reportagem, e um Senador catarinense já declarou seu voto CONTRA as cotas.

Primeiros resultados

9 Dezembro, 2008

Após duas semanas que fiquei enchendo o saco deles por email, finalmente a RBS TV confirmou enviar equipe para fazer a cobertura da mobilização hoje. Tiro certo. Já que o objetivo é chamar atenção da opinião pública.

Outra notícia. O Senador Raimundo Colombo prometeu votar contra o projeto, no Senado, que institui 50% de cotas nas federais. Resta convencer os outros 2 Senadores catarinenses.

Uma primeira resposta aos céticos: aos poucos os resultados vão sendo garimpados.

Mobilização na UFSC

8 Dezembro, 2008

msncotas

Apenas um dia nos distancia da mobilização contra as preconceituosas cotas na UFSC.

Escrevo-lhes trazendo três boas novas.

A primeira é sobre a divulgação. Enquanto nós confeccionamos as faixas, placas e cartazes, dezenas de estudantes, que estão prestando os exames do vestibular, já iniciaram a divulgação pelos corredores e salas. Até o momento, a receptividade foi ótima

A segunda boa notícia é que fui convidado para uma entrevista hoje na TVAL justamente para falar de educação, juventude e universidade. O programa vai ao ar terça-feira às 13h00, do que resulta mais uma oportunidade de divulgação e sensibilização da mídia e de um público formador de opinião – os políticos estaduais.

A terceira boa nova é a previsão do tempo: nuvens carregadas longe de Floripa por todo o dia.

Precisamos urgentemente de pessoas para confeccionar faixas e placas, na terça à tarde. Ainda há ocasião para você colaborar! Visite a página do movimento e escreva, para participar.