Arquivos para a Categoria ‘Política’

Jogo ambiental

13 Outubro, 2009

Não é simples entender a macro política ambiental brasileira. Interesses e argumentos ainda nos aparecem distorcidos ou amorfos, cambaleando entre as possíveis combinações de progresso econômico e proteção ambiental, sejam estas combinações complementares entre si, sejam elas, ao contrário, como um jogo de soma zero. Não só as ONG’s ambientalistas, como também as entidades representativas dos setores econômicos divergem umas das outras, e divergem de modo aparentemente desordenado. Não à toa, portanto, assistimos à enorme confusão na política ambiental do atual governo federal; uma confusão de proporção tal, que lançou à arena dois nobres gladiadores públicos, Marina Silva e Mangabeira Unger. Quero me aproximar de pessoas que entendam a dinâmica da política ambiental. Aceito sugestões de autores, pensadores, engenheiros, jornalistas, enfim, quem quer que encontre ordem nesse caos de informações. O assunto é de importância magna: ninguém compreenderá o Brasil sem localizar o exato ponteiro deste debate. Não basta virar o rosto ao passado, mas, concordo, sem a história ninguém explicará nada. O assunto é complexo. Bem sei que as pressões internacionais pela proteção ambiental brasileira não são desprezíveis, assim como não as são aquelas doces taxas de lucro do agronegócio. A questão é: todos esses interesses não se apresentam em gavetas bem organizadas. Ora, ninguém recusa as principais leis federais sobre o assunto, a exemplo da Lei da Mata Atlântica e da Lei de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Em princípio, a proteção ambiental ganhou status de valor moral inquestionável. Há cerca de cem anos, duvido que alguém imaginasse liberalização sexual seria moralmente menos condenável do que escoamento de óleo de cozinha pelo ralo da pia. Torna complexa a compreensão política justamente a característica em voga: não são os valores que estão em jogo. Se assim o fosse, tudo seria facilmente explicado, mas não é Fla verus Flu, não é direito ao aborto verus vida de um embrião. O que realmente está em disputa? Supor que as empresas buscam seus lucros não passa de um simples ponto de partida, que em si não traz nenhuma conclusão mais sofisticada. Uma leitura material dos interesses das entidades representativas, ao meu ver, requer detalhar quais tipos de produção realmente demandam degradação ambiental. O Congresso Nacional sempre foi um bom lugar para encontrar quem é quem na política brasileira, mas até mesmo a tradicional bancada ruralista, como em poucos casos de nossa história, encontra-se dividida.  Você – arrisca um palpite?

Se Deus passar por Brasília

20 Setembro, 2009

Enfim o espírito absoluto, essa profecia de Hegel, parecia soprar um pouco de Razão pelos ares de Brasília. Razão para guiar os homens de terno e gravata, que discutiam e votavam nossa mini-reforma eleitoral. De certo, mudaram leis que regularão, com o ferro da justiça eleitoral e o fogo de adversários, as próximas eleições no país (fora da Europa) da Oktoberfest e do Carnaval.

Envoltos pelo espírito absoluto ou não, nossos congressistas (ufa!) libertaram a expressão virtual dos grilhões do século XIX, bem como o voto em trânsito dos nossos viajantes. Já não precisamos temer, caros internautas, as punições por escrever livremente nos posts de nossos blogs e nos perfis das nossas redes sociais. Também agora podemos votar mesmo longe de nosso distrito eleitoral. Nada como um feriado político! E pronto. Termina por aqui a dose de razão humana deste biênio. As próximas mudanças ficam para a próxima eleição, ok? Verdade que algumas são, digamos, reformas urgentes. Entre elas, o fim das coligações proporcionais. Afinal, quem ainda defende esse tipo de coligação?! Ficou comprovado! Há tempos alguns partidos se utilizam delas para vender o seu espaço na TV como se fosse… seu. Quer dizer, o horário é pago pelos cofres públicos, pois acreditávamos em direitos iguais para divulgação de projetos. Ninguém criou a lei para legendas nanicas venderem seus espaços de mídia a partidos grandes. Desse jeito, não há espírito absoluto que resolva. É importante que se entenda: as leis e os desenhos institucionais são muito, muito importantes, mas não suficientes para garantir uma plena democracia, se é que alguma possa existir. Tão essencial é a educação nas esferas pública e privada: a dinâmica social de cidadãos livres, que cotidianamente elevem o mundo para níveis cada vez mais superiores. É exatamente isso o que afirmava Hegel na sua filosofia do direito. Nós somos o espírito absoluto, nós somos Deus.

Em quais candidatos você NÃO votaria?

12 Setembro, 2009

Vale preencher mais de uma resposta na enquete ao lado, se o leitor me permite a pergunta indiscreta, em tempos de temor à esfera pública.

Em vez de reconhecer a oportunidade de expor publicamente a sua individualidade, e garantir ao seu “ser” um status ontológico diferente de “nada” (para deleitarmo-nos com essa genial inferência de Hannah Arendt), o dito cidadão moderno prefere o silêncio da sobrevivência. Não é culpa dele. A bem da verdade é que ele é um homem, não é um cidadão, no sentido antigo da palavra. Dotado de inteligência, o homem consegue bravamente superar os obstáculos da natureza e sobreviver por um piscar da história, dificilmente mais do que 100 anos. Já o cidadão é dotado da coragem e as referências de seu mundo estão apontadas não para a sua vida, mas a para a sobrevivência e a glória do próprio mundo.

De toda forma, a enquete ao lado foi construída de modo a preservar a privacidade da sua opinião. Eis uma característica importante para o desenvolvimento da recente ciência da estatística. Não à toa, é ela a principal ferramenta das modernas ciências sociais. Mantêm o anonimato dos indivíduos pesquisados, resumindo e simulando seus comportamentos. Com esses ensinamentos aprendemos que a pergunta pela rejeição é capaz de garimpar a real preferência do e-leitor. Veremos.

Valores de Lula

16 Julho, 2009

Um joguinho literário está circulando pelos emails. O autor do texto? Se alguém souber, por favor me indique.

Lula antes da posse:

Nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

Lula depois da posse

Leia o mesmo texto de baixo para cima.

***

Nunca havia me deparado com esse tipo de texto. Bem simples, intercalando frases positivas e negativas, com quebra de linha no meio da sentença, para o leitor começar uma frase e terminar na próxima linha, tanto de cima para baixo quanto do ponto de vista inverso.Como toda brincadeira, essa também carrega meias verdades.

Free internet on campaign

1 Julho, 2009

Por falar nisso, segue link para abaixo assinado para liberar youtube, orkut etc em campanhas eleitorais. Quem, como eu, acredita que as campanhas  pela internet tratão benefícios para todos (partidos, governos e sobretudo cidadãos) , economizando recursos, gerando menos poluição sonora e visual e mais conteúdo programático na mensagem transmitida, assine aqui. Proposta do colega Schrubbe, de Blumenau.

Ladies and Gentleman

1 Julho, 2009

Findos seis anos de governo Lula, a oposição democrata e tucana aprendeu. Aprendeu a se movimentar no jogo complexo do Congresso, desse legislativo (institucionalmente) enfraquecido, que é o brasileiro. Verdade que já antes a oposição vencera. A maior das vitórias foi derrubar a CPMF, quando o brasileiro perdia dinheiro em qualquer transação bancária. Crise no sistema financeiro e o governo brasileiro age mal, não intervém como deveria. Coitada da oposição. As comissões de economia do Senado e da Câmara são patrulhadas por governistas. Sendo muito, mas muito fraca, a oposição, no Brasil, precisa usar bem estratégia. Foi o que aconteceu. Apoiou a eleição do Sarney, um velha-guarda impopular, que estava fraco, inclusive perigando não se reeleger. Um brother apoiado pelo presidente Lula. Que coisa estranha, não? Estratégia bem sucedida. Elegeram para trair. Empossado Sarney, denunciado Sarney, afastado Sarney? Senhoras e Senhores, se Lula quiser salvar o o companheiro Sarney, vai ter que liberar as investigações. Qualquer uma das CPI’s vai cheirar mal. Cada uma delas pode tomar um rumo imprevisível. Se a oposição conseguir realmente dominar uma CPI, pescoços vão cair. E nesse pingar de sangues a gente sabe quem lucra. Não é por menos, convenhamos.

Quem planta, colhe

15 Maio, 2009

De tanto insistir nos bastidores do governo do estado, é com muita alegria que li a notícia abaixo:

O governador Luiz Henrique anunciou agora no WTTC que o presidente francês, Nicolas Sarkozy , poderá vir a Santa Catarina no dia 1 de agosto para instalar a primeira e única filial da Escola Nacional de Administração Pública fora da França. (Blog do Moacir Pereira)

PMDB

12 Maio, 2009

Parece que o PMDB está a busca de um pretexto para pular fora da base governista no plano federal. Para ficar in nos próximos 8 anos, é hora de aceitar o apoio para o primo novo, o PSDB?

Kátia Abreu, dama de ferro

5 Maio, 2009

Kátia Abreu é uma figura pública corajosa. Hoje subiu ao plenário do Senado e soltou a língua para homenagear – acreditem! – Margareth Thatcher. Durante o discurso, Kátia lembrou: “nos 11 anos em que governou a Inglaterra, até renunciar em 1990, ela promoveu uma revolução que mudou o mundo, tamanho o impacto de suas ideias e, mais que isso, suas ações”. Na visão de Kátia Abreu, Thatcher sabia onde queria chegar, não tergiversava e exercia o poder com firmeza, responsabilidade e sem ceder a acordos que pudessem comprometer o rumo do seu governo”.

Pode ter sido premeditada por ela essa vontade que o espectador carrega em compará-la a própria governanta britânica? Já pensaram o Brasil sendo presidido por uma estadista liberal – Kátia Abreu, dama de ferro? Não esqueçam que ela está muito bem cotada para vice numa provável coligação PSDB-DEM em 2010.

A observar o trabalho que vem desenvolvendo no Conselho Nacional de Agricultura, acho que dá pra dizer que ela não será uma vice decorativa, como Marco Maciel ou Zé Alencar. Provavelmente faíscas seriam lançadas de um embate entre ela e José Serra.

E pensando a hipótese Aécio Neves e Kátia Abreu seria de se supor um Brasil mais liberal? Ambos simpatizam com os setores produtivos e defendem a gestão como política pública.

Maranhão

17 Abril, 2009

O grande fato político da semana, aliás, um grande fato político como nosso tempo raramente oferece, foi não a cassação do (ex)governador do Maranhão, mas sua resistência em sair do gabinete do governo. Ao que dizem os blogs e twitts, o Jackson Lago se trancou no palácio, protegido por mais de 100 militantes do MST que o envolve. Isso é uma afronta ao estado de direito, mas é também um fenômeno entusiasmante. Melhor aguardar o desfecho antes de tecer comentários fugazes.