
Hoje havia a gameway – pretensa maior feira de games do Brasil. Não é que, ao chegar em casa, cansado da prova, o Danilo me convida para irmos com o Iuri? Daria um post…
Lá chegando, começamos pelo Museu dos games. Fila pra tudo! Até pro museu. A galera da tecnologia não gosta só de futurismo. Pera aí! Museu? Desde quando o N64 é peça de museu? Eu ainda jogo Mário Kart 64. Acho que, pela primeira vez, me senti, de verdade, um velho. E isso dá um certo orgulho. Mas, pô, museu com as coisas do meu tempo é exagero. Ou será que em tempos de rápidas mudanças, impostas pela produção cada vez menos tardias de tecnologias, 10, 20 anos é realmente motivo para os produtos se tornarem peças de museus? Não duvido existir alguma teoria acadêmica sobre a “nova museologia” tratando disso.
A essa altura do campeonato eu já estava com o bloquinho na mão, pagando de jornalista. Mas, como eu não era um, peguei a fila do Wii. Não era pequena. Pelo menos estava passando a final Pró-Evolution Soccer nos telões. E que jogão! O time de branco, depois eu descobri que era o London F.C., estava dominando o jogo. Excelente marcação e muita objetividade nos ataques. A fila andou. 1×0 para o London. Andou mais um pouco. O jogo estava muito trancado, os dois times marcando muito forte, sem faltas, coisa de profissional. O narrador era irritante. Depois descobri que ele era o menos pior. Quando meu palpite no Longon ganhava confiança, o Barcelona vira o jogo e surpreende com grande domínio de bola. Com muita tranqüilidade, o cara ficou administrando o jogo até o apito final. Quando este chegou a tranqüilidade deu lugar à euforia. E à arrogância. Ele saiu pulando e gritando “EU SOU FODA”. Hilário ele sendo entrevistado por uma dezena de jornalistas. Pintou uma vontade de ser um deles. Passou logo.
Gente de tudo quanto é cor e classe e gênero. Incluindo-se, claro, os GLS et all. Gamers sem preconceito. A entrada era econômica, 15 mangos. Até uns fantasiados de personagens (de jogos) se faziam presentes. Será que eles andam cotidianamente com aquelas, hã, roupas?
Viajando, quase perdi a vaga quando chegou minha vez. O jogo era de Tênis, no Wii. Pra quem não sabe, Wii é um vídeo game cujo controle sente o movimento das suas mãos. No caso do Tênis, ele se tornou uma raquete. Que eu perderia para aqueles garotinhos com quase metade da minha idade não era novidade. A surpresa foi quando uma jornalista da RBS se meteu no meio do jogo pra me fazer perguntas. Queria me induzir a dizer que me sentia o “novo Guga”. Só me fez perder um precioso ponto, com o qual eu ganharia facilmente do garotinho (¬¬).
A sensação da Feira era, realmente, esse Wii. Como seria jogar boxe? Fomos para a fila. Enquanto isso as candidatas à “Gata Gamer” se apresentavam no palco. O disputadíssimo concurso era do tipo se você for vice, então ficou em último lugar. Ou se você ficou em penúltimo, ganhou. A emo de 16 anos contra a metaleira de 13. Além de desfilar, deveriam responder perguntas sobre um jogo de sua escolha. Adivinha o jogo escolhido pela emo? Não, não era The Sims hehehe Ela escolheu o Mário, e sabia que ele tinha uma pena. Menos mal: ela, de certo, jogava o Super Mário 64, que é mais feminino. Já a metaleirinha escolheu o Guitar Hero. A pergunta era “quem é o guitarrista do Rage Against the Machine?”. “Ai, é um parecido com o entregador de pizza do GTA…”
Eu já estava cansado, mas o Doc insistiu entrar na fila do Guitar Hero. Que jogo mais chato! Fiquei lá resmungando críticas ao jogo, enquanto aqueles repórteres bizarros ficavam narrando os jogos, tentando agitar a adrenalina dos geeks. Uma entrevista pior do que a outra. Só ouvi ele gritando: alguém aqui no “Guitar Hero sabe tocar guitarra de verdade?”. Não sei se era impressão minha, ouvi a voz do Iuri falar no meu inconsciente “ELE É FERA!!”. Puts. O cara veio me entrevistar: “Então você manda bem no jogo e é mesmo fera guitarra?”. – “Não”. “Se você não é guitarrista, então é o quê, pastor?”. Todo mundo que usa terno é pastor? Que cara mais idiota. Deve ter me achado antiquado ou coisa assim. Devia se achar moderninho com seu style emo-estagiário-de-jornalista. Era gordo, ainda por cima. E fazia imitações sem graça.
Espertas eram as criancinhas que deixavam suas mães nas gigantes filas. As duas candidatas, digo, as duas finalistas subiram novamente ao palco. A metaleira ganhou o título de Gata Gamer!!! Será que ela vai contar aos seus pais?
Não longo do esperado, o Guitar Hero era muito chato. Mas o Doc saiu feliz. O Iuri também: 2×0 para o São Paulo sobre o Flamengo. Esperava mais do Game Way e menos dessa tarde de domingo ao lado de grande amigos. Bom consolo pra quem não fez uma mísera questão da prova de matemática do Teste ANPAD.