A teoria política tradicional e seus estudiosos possuem um enorme preconceito contra a vida privada. É natural vermos n’algumas pessoas a participação política como um valor sagrado, como se não gostar de política fosse sinal de pecado mortal. Tal grupo de pessoas implora desesperadamente por uma esfera pública gigantesca e por canais de participação sempre maiores. Tudo isto faz sentido.
Deve-se observar, porém, que não é a falta desses canais que impede a participação. Não digo que estejam sobrando incentivos à participação, mas o que falta é algo mais simples: o interesse na participação. Não devemos querer impor interesse politzante em quem não o tem. Para que, afinal, desejar viver em Estados, apartamentos ou empresas onde TODOS são politicamente engajados nos assuntos públicos. Isso não é bom para eles nem para nós; nem para os dantes ou recém interessados.
Basta analisar um pouco, sob prismas psicológicos, a motivação das pessoas. Para muitas delas a política não carrega significados importantes para suas vidas. E isso absolutamente compreensível.
Não reconhecer isto é a maior das falhas nas teorias de democracia e dos sistemas eleitorais.