Foi tensa a manifestação contra as cotas na UFSC. Polícia, boicotes da reitoria e chuva fizeram parte do enredo. Sem energia para escrever algo mais, amanhã eu conto.
Arquivos para a Categoria ‘Vestibular’
Problemas na UFSC
10 Dezembro, 2008Primeiros resultados
9 Dezembro, 2008Após duas semanas que fiquei enchendo o saco deles por email, finalmente a RBS TV confirmou enviar equipe para fazer a cobertura da mobilização hoje. Tiro certo. Já que o objetivo é chamar atenção da opinião pública.
Outra notícia. O Senador Raimundo Colombo prometeu votar contra o projeto, no Senado, que institui 50% de cotas nas federais. Resta convencer os outros 2 Senadores catarinenses.
Uma primeira resposta aos céticos: aos poucos os resultados vão sendo garimpados.
Mobilização na UFSC
8 Dezembro, 2008Apenas um dia nos distancia da mobilização contra as preconceituosas cotas na UFSC.
Escrevo-lhes trazendo três boas novas.
A primeira é sobre a divulgação. Enquanto nós confeccionamos as faixas, placas e cartazes, dezenas de estudantes, que estão prestando os exames do vestibular, já iniciaram a divulgação pelos corredores e salas. Até o momento, a receptividade foi ótima
A segunda boa notícia é que fui convidado para uma entrevista hoje na TVAL justamente para falar de educação, juventude e universidade. O programa vai ao ar terça-feira às 13h00, do que resulta mais uma oportunidade de divulgação e sensibilização da mídia e de um público formador de opinião – os políticos estaduais.
A terceira boa nova é a previsão do tempo: nuvens carregadas longe de Floripa por todo o dia.
Precisamos urgentemente de pessoas para confeccionar faixas e placas, na terça à tarde. Ainda há ocasião para você colaborar! Visite a página do movimento e escreva, para participar.
Movimento Contra Cotas na UFSC
4 Dezembro, 2008Amigos, o dia de hoje marcou o fim das minhas provas de graduação. Só me resta a tal monografia para finalizar o curso de Filosofia. A prova era exatamente sobre filosofia da linguagem, o que motivou-me a escrever o post abaixo.
O resto do dia foi integralmente dedicado a outra causa. A uma que há algum tempo me vem indignando, sem que, no entanto, prestasse-lhe ações planejadas. Refiro-me à reserva de cotas nas universidades públicas – aquela medida preconceituosa, que premia o demérito, e que busca segmentar humanos em raças, dividir iguais em diferentes.
Seria vergonhoso aceitar silenciosamente essa política, que põe em risco o prestígio de algumas poucas Universidades brasileiras, prestígio este construído por anos e anos de tradição, e ademais por muito dinheiro público de nossos impostos.
Não fosse o bastante, a reserva de cotas acaba também por desvalorizar não famílias pobres e de classe média quaisquer, mas justamente aquelas que, apesar das parcas condições materiais e culturais, se esforçaram ao máximo para educar seus filhos.
Em vez de premiar o esforço e a educação, a política de cotas obedece a lógica do privilégio. Privilégio nunca é bom, pois está associado à idéia de tirar vantagem, como se fosse uma exceção concedida, algo que não é do merecimento.
Há um debate, e na verdade um debate bastante fervoroso, sobre o tema na velha comunidade da UFSC. Acontece que desta vez é preciso mais do que discussão. Desta vez nós vamos ao plano das ações. A motivação veio da Bia. É algo simples, mas deve repercutir bem.
A idéia é aproveitar o último dia do vestibular, 09, na próxima terça, quando uma centena de vestibulandos ocupará o campus central do UFSC, e fazer uma manifestação pacífica entorno da Reitoria.
Deixei para escrever este post quando tudo estivesse pronto. É o caso. Peço que dirijam-se até a página do movimento Contra Cotas na UFSC.
Haverá, na terça, um palanque improvisado para ouvirmos depoimentos, opiniões, discursos. O objetivo realmente é chamar atenção da imprensa e dos políticos. É sabido que um projeto de lei tramita no Congresso para instituir 50% de cotas para toda a rede federal.
Vamos lá?
Vestibular e Cotas
2 Dezembro, 2008Se o vestibular, com suas questões objetivas, não é o melhor método para se avaliar ingressantes, e eu concordo que, da maneira como é, realmente não o seja, então podemos discutir um modelo melhor, talvez vocacionado e com entrevistas objetivas ao final dos filtros.
O que é importante é ter sempre em mente uma coisa: quem deve entrar na Universidade são os mais capacidades, independente da cor, gênero ou renda, porque o objetivo imediato da universidade não é diminuir desigualdade social. Ou pagamos R$800 milhões/ano para formar 600 alunos negros e pobres/ano na UFSC, por exemplo?
Se aquele fosse o objetivo, empregaríamos melhor os R$240 milhões gastos com as vagas aos cotistas, para promover inclusão social. A idéia é completamente descabida. Por que afinal afinal criaram essa forma de ingresso justo na graduação universitária?! Por que o mestrado também não exige cotas? Simples, porque seria uma inversão de objetivos, e os mestrados normalmente são um poucos mais sérios, o corpo docente é avaliado com um pouco mais de rigor.
Atualização: Em seu blog, Simon Schwartzman, escreve muito bem sobre o tema. E depois faz um comentário que cai muito bem aqui:
Eu não tenho dúvidas de que o sistema de bônus adotado pela UNICAMP é melhor do que o sistema de cotas, e todos sabemos que as notas de ingresso no vestibular não são um bom preditor de desempenho acadêmico ou profissional futuros. Um bom sistema de seleção deveria ser qualitativo, tomando em consideração aspectos intelectuais, de motivação e outros, e não mecânico como são os vestibulares brasileiros, com ou sem bônus ou cotas.
Quanto à analise que fiz com dados da PNAD (e não do PNUD, que é outra coisa), embora preliminar, me parece que pode ajudar na avaliação sobre o que o Congresso está aprovando agora, sem precisar esperar que a política seja posta em prática para medir depois suas consequências.
Minha interpretação
Existem 5.8 milhões de estudantes no ensino superior do Brasil. Isto considerando o setor público e o privado. Embora o projeto limite 50% da vagas das universidades federais para cotistas, isto representará 5% do total.
Ou seja, se as universidades federais (algumas delas) são centros de excelência em formação e pesquisa, estamos arriscado uma fatia bem significativa dos “melhores alunos”, 50%.
Portanto, as cotas mudarão pouco do panorama geral (inclusão social e racial ao ensino superior), e muito do panorama específico (pôr em risco a qualidade das reservas de excelência).

