Monografia

Convido a conhecer minha monografia. Sem modéstia e sem ambição, busca interpretar os conceitos de morte e liberdade, em Hannah Arendt. Do nascimento à morte existe esse entremeio – a vida. Para nós, tudo é vida, na medida em que a própria morte só pode ser pensada a partir da vida. Pensar a morte, entretanto, nos remete a uma situação evidentemente perplexa, da qual só restam duas saídas: a imortalidade e a eternidade, cada qual apropriando-se de um conceito de liberdade. Pronto. Revelei toda a essência da obra. É possível encontrar essa inspiração na terceira parte do Capítulo 1 da Condição Humana. Verdade que a minha interpretação caminha na contra-corrente dos maiores intérpretes da autora. O medo do pedantismo não me faz recuar, pois me parece muito claro. De um lado, o modo de vida grego para quem ser livre é poder escolher a fama imortal de Aquiles em detrimento de uma vida feliz. De outro lado, o modo de vida cristão, aquele segundo o qual livre é quem pode refutar o mundo terreno para buscar a paz eterna longe da caverna sombria de Platão.

A idéia está no ar. Hoje, efetivamente, retomo o planejamento do texto. Penso em, inicialmente, revisar a literatura sobre a concepção da morte para a antigüidade clássica. O sentimento de inveja dos gregos perante seus deuses, o sentido de “estar entre os homens” atribuído ao termo vivere latino. Depois, retomar o platonismo e interpretar a metafísica (theoria) como a experiência do eterno. Em contraposição, a experiência política grega, a fundação da liberdade política como o fenômeno constituído essencialmente neste mundo da pluralidade humana. Teríamos, assim, um capítulo sobre a eternidade e outro sobre a imortalidade. Conforme o andar da carruagem (caberia apena questionar minha orientadora) talvez um quarto capítulo sobre o mundo moderno: como a fragmentação das esferas público e privada, e a instituição da “sociedade”, representa a vitória da metafísica, da morte, sobre a ação. É isso mesmo. Arendt possui um ceticismo estranho em relação ao mundo moderno. Pensa que as pessoas já nem mais buscam a imortalidade, nem a eternidade – ninguém mais age nem comtempla. O que nos restou foi a fabrição infindável de tecnologias destituídas do significado da liberdade, seja política, seja religiosa. Lá vem eu querendo interpretar novamente. Não há espaço para rebeldia acadêmica. Tudo bem, este capítulo pode cair fora da monografia. Fica reservado, com exclusividade, para os leitores do blog.

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2 Respostas to “Monografia”

  1. Um convite à filosofia « LEANDRODAMASIO.COM Says:

    […] Para conhecer melhor a monografia, visite este post. […]

  2. PAULA Says:

    OLá… Gostaria de saber se é possível mandar-me esta monografia completa.
    Preciso ler uma p/ realizar um trabalho mas não consigo encontrar nenhuma completa.

    Desde já, agradeço.

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