Décima Lição

O que chamaríamos hoje de distinção entre teoria e prática, referia-se para Kant à distinção entre espectador e ator. O termo “prática”, em Kant, refere-se à moral. Nas questões práticas, não é decisivo o juízo (a opinião), mas a vontade, que, para ele, segue simplesmente as máximas da razão. Ao contrário do juízo; este, sim, compartilhado entre os espectadores e os atores.

Uma teoria curiosa de Kant é a de que o espectador seria mais relevante do que o ator. O que ilumina e leva sentido aos acontecimentos históricos não são os erros ou acertos dos atores, mas os juízos que deles fazem os espectadores. Existe, então, uma dependência entre um e outro. Como se ninguém apresentasse um espetáculo sem espectadores.

Hannah tira essa idéia da Crítica do Juízo – aquele livro sobre obras de arte. Vê clara analogia entre os juízos históricos e os estéticos. Do mesmo modo que o artista, ao criar um novo objeto, está subordinado à crítica, o ator, ao mover uma nova ação, está subordinado ao juízo. Diante disso, “isto me agrada” é quase idêntico ao “concordo”.

Existe, ainda, a necessidade da comunicação para o juízo. Em primeiro lugar, o artista (ou o ator) precisa se fazer entender. Do contrário, o espectador não poderia julgar. Em segundo lugar, espectador nunca está isolado. Embora não esteja envolvido no ato, está sempre envolvido com seus companheiros espectadores. A validação dos juízos se dá a partir dessa comunidade de espectadores …

… seguem as peças se encaixando.

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