Um convite à filosofia

Deixo o convite aos interessados. Apresentarei meu recente artigo sobre Morte e Liberdade em Hannah Arendt, uma pesquisa alinhada com minha monografia. Será terça-feira, 28, no mini-auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da UFSC. Para que ninguém acabe por se decepcionar, melhor deixar uma amostra, para ver de que se trata. Segue o primeiro parágrafo:

Quando Sócrates foi condenado à morte, um enorme sentimento de injustiça difundiu-se por Atenas. Sócrates fora vítima dos sofismos contra os quais combatia. E muito embora seu discípulo Platão propusera aos homens que deixassem de lado a retórica para alcançar a verdade filosófica, o que estava em jogo, realmente, não era apenas um modo de conhecer os seres, a ciência ou, enfim, a verdade, e sim a busca por uma solução: a solução do problema da morte. Causou angústia não o simples fato morte de Sócrates, por mais injusta tenha sido sua condenação. Mas as dúvidas que a antecederam. A dúvida mais cruel de Sócrates não foi a definição de algum conceito, nem a paradoxal sapiência de que nada sabia. Antes disso, Sócrates tocou a ferida mais dolorosa. Ele pôs em xeque a única saída que os homens haviam encontrado para o problema mais fundamental de todos. Com a exceção de Thomas Hobbes, nenhum outro filósofo deixou explícito que a morte está no centro dos problemas da filosofia política. E no entanto todos eles partiram dessa mesma reflexão, a começar com Platão e a terminar com Karl Marx. Porque desde a condenação de Sócrates, quando surgiu a filosofia política, a relação entre o filósofo e a cidadania define o tom das teorias. Teorias estas que começam numa extremidade e terminam noutra. Inicia com Platão dizendo: “Cidadãos, deixem de falar, opinar, agir, e comecem a pensar”. Termina com Marx dizendo o oposto: “Filósofos, deixem de interpretar, meditar, pensar, e comecem a agir”. Torna-se curioso analisar como essas duas alternativas, referências extremas de pensamento político, não se distanciam muito. Elas estão bastante próximas, quando assumem o pressuposto de que o homem não pode ser imortal. Platão é ambicioso e enxerga no homem um quase Deus que pensa conceitos eternos. Mas não um homem imortal. Marx é banal e enxerga no homem um mísero operário cuja principal preocupação é, como em Hobbes, a sua sobrevivência. Aqui o homem também nem sequer pretende ser imortal. Esses filósofos, bem como todos os outros, ouviram atentamente a descoberta de Sócrates, a de que o homem não pode ser imortal. Os ilustres pensadores só não perceberam que a crença na imortalidade era o único fio que sustentava à prática política.

Para conhecer melhor a monografia, visite este post.

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