Vestibular e Cotas

Se o vestibular, com suas questões objetivas, não é o melhor método para se avaliar ingressantes, e eu concordo que, da maneira como é, realmente não o seja, então podemos discutir um modelo melhor, talvez vocacionado e com entrevistas objetivas ao final dos filtros.

O que é importante é ter sempre em mente uma coisa: quem deve entrar na Universidade são os mais capacidades, independente da cor, gênero ou renda, porque o objetivo imediato da universidade não é diminuir desigualdade social. Ou pagamos R$800 milhões/ano para formar 600 alunos negros e pobres/ano na UFSC, por exemplo?

Se aquele fosse o objetivo, empregaríamos melhor os R$240 milhões gastos com as vagas aos cotistas, para promover inclusão social. A idéia é completamente descabida. Por que afinal afinal criaram essa forma de ingresso justo na graduação universitária?! Por que o mestrado também não exige cotas? Simples, porque seria uma inversão de objetivos, e os mestrados normalmente são um poucos mais sérios, o corpo docente é avaliado com um pouco mais de rigor.

Atualização: Em seu blog, Simon Schwartzman, escreve muito bem sobre o tema. E depois faz um comentário que cai muito bem aqui:

Eu não tenho dúvidas de que o sistema de bônus adotado pela UNICAMP é melhor do que o sistema de cotas, e todos sabemos que as notas de ingresso no vestibular não são um bom preditor de desempenho acadêmico ou profissional futuros. Um bom sistema de seleção deveria ser qualitativo, tomando em consideração aspectos intelectuais, de motivação e outros, e não mecânico como são os vestibulares brasileiros, com ou sem bônus ou cotas.
Quanto à analise que fiz com dados da PNAD (e não do PNUD, que é outra coisa), embora preliminar, me parece que pode ajudar na avaliação sobre o que o Congresso está aprovando agora, sem precisar esperar que a política seja posta em prática para medir depois suas consequências.

Minha interpretação

Existem 5.8 milhões de estudantes no ensino superior do Brasil. Isto considerando o setor público e o privado. Embora o projeto limite 50% da vagas das universidades federais para cotistas, isto representará 5% do total.

Ou seja, se as universidades federais (algumas delas) são centros de excelência em formação e pesquisa, estamos arriscado uma fatia bem significativa dos “melhores alunos”, 50%.

Portanto, as cotas mudarão pouco do panorama geral (inclusão social e racial ao ensino superior), e muito do panorama específico (pôr em risco a qualidade das reservas de excelência).

3 Respostas to “Vestibular e Cotas”

  1. Guilherme Fonseca Cardoso Says:

    Concordo!

  2. Kênia Says:

    Nunca havia parado para refletir sobre este aspecto das cotas, mas agora vejo que o vestibular está perdendo seu objetivo último de triagem e tornando-se um método promoçao de equidade – esta constataçao me aflige.

    Entretanto nao posso me dizer contra as cotas, sei que nao sao a melhor maneira de reparar os problemas em nosso País, mas deixemos um pouco nossos ideais de lado e sejamos realistas: o Brasil é um país imediatista, burocraticamente engessado e com sérios problemas na definiçao de prioridades e essa talvez é uma forma de amenizar um pouco o problema da educaçao (ou, para nao irmos tao longe, da falta de oportunidades)…

    Dito isto talvez seja necessário esclarecer que nao sou a favor das cotas em razao racial. Porque? Simples: nao é apenas racista em sua essencia, mas agrava o preconceito entre os estudantes que, muito provavelmente (como eu) nao compreendem porque alguém seu ingresso facilitado pela cor de sua pele? Além do mais conheço muitas pessoas morenas e negras que tiveram oportunidades iguais as minhas, vieram de famílias estáveis, sem nenhum problema financeiro, estudaram em escolas particulares e nao necessitam desta ajuda para ingressar na universidade. E se alguém pensa em dizer: ¨mas é só nao se candidatar as cotas…¨ eu pergunto: ¨Com o vestibular tao concorrido como está, você, tendo a oportunidade, nao se candidataria?¨

    Eu conhecoço uma menina, inteligentíssima, negra, que prestou vestibular pra medicina na UFSC e entrou, e ouvi através de terceiros que no começo todos a olhavam com um misto de raiva e pena, até que um ser bendito disse para quem quisesse ouvir que ela entrou sem se candidatar para as cotas. Nao sei a reaçao das pessoas, mas se estivesse no lugar deles além de me sentir envergonhada teria grande admiraçao.

    Fico pensando em o que faria se estivesse prestando o vestibular. Teria direito a me candidatar as cotas de escola pública porque estudei no Colégio Militar – que apesar de excelente é público – me pergunto se o faria, teria coragem de concorrer a uma vaga com quem realmente precisa? Nao sei…

    PS: Estou esperando o post sugerido, mas devo demorar para comentar aqui de novo porque vou viajar e só volto na terça.
    ;*

  3. paulo henrique Says:

    é absurdo e contraditorio o que vou escrever agora,mas os pensamentos do brasileiro medio e moreno é por si só contraditorio.A fatia ou percentual de quota nas universidades apenas permite que pessoas comum e amigas de negros ou até negros e intelectuais pouco comum, deixem de visualizar as possibilidades e as consequencias deste tema.O cidadão negro que teve acesso à cota tera que ralar muito mais que alguem que ganhou uma carro de presente por ter passado no vestibular?e apos formado tera a visita em seu escritorio ou consultorio de pessoas “brancas”?.A quota de excelencia deve ser divida em partes iguais a todos ou somente a todos iguais?Quando a escravatura no Brasil “acabou” os portugueses e estrangeiros que aqui viviam não passaram a comprar e negociar com os antigos escravos,o que devemos pensar é que se não querem tratar os dentes de alguem,ou construir uma casa ou tratar uma doença é preciso que essa pessoa tenha capacitação para trata-la,ate hoje as cotas fazem falta,italianos,japoneses ao chegarem no Brasil tiveram seu quinhão e seu esteriotipo, …”pasteleiro,alfaiate,pizzaiolo, inteligente…”,é tão dificil estudar e trabalhar , sem dinheiro que os herois brancos,pardos,japoneses que conseguem só serao livres , quando forem procurar emprego e não forem preteridos com os dizeres ” com boa aparencia” .

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