A primeira mobilização contra cotas

Um infeliz temporal se formou há apenas 30 minutos do início da Mobilização, de modo que tivemos de transferí-la para dentro da Concha Acústica da UFSC.

Inicialmente, colocamos as placas pelo chão da Concha. Vejam:

Eco-placas, confeccionadas com guache e papelão!

Mesmo a pancada de chuvas, o pessoal começou a chegar, quando dois grandes imprevistos aconteceram. Responsável pela Concha, a Secretária de Artes da UFSC não permitiu que utilizássemos a energia, “porque somos a favor das cotas, é uma questão ideológica”, disse ela.

Depois disso, seis policiais militares foram enviados (não sabemos por quem), e conversaram de modo nada amistoso sobre a proibição de ligar o som.

Na saída, pessoas caminhando na rua nos paravam para tirar fotos. O vídeo abaixo mostra melhor:

Apesar dos pesares, a primeira experência foi válida. Atingimos o objetivo de chamar atenção da mídia e dos políticos. O principal jornal impresso de Santa Catarina publicou esta reportagem, e um Senador catarinense já declarou seu voto CONTRA as cotas.

Anúncios

42 Respostas to “A primeira mobilização contra cotas”

  1. Constrangidos pela polícia e pela reitoria, estudantes relatam como foi a mobilização contra cotas na UFSC « Política levada a sério Says:

    […] Constrangidos pela polícia e pela reitoria, estudantes relatam como foi a mobilização contra cotas na UFSC Postado no Dezembro 10, 2008 por Kali Kalache Do Blog do Leandro Damásio […]

  2. Guilherme Fonseca Cardoso Says:

    Parabéns pela iniciativa!
    Abraços,
    Guilherme

  3. Priscilla Says:

    Eu achei que vc fosse um garoto sensato, colocar a política de ação afirmatiiva, é simplesmente uma afirmação ignorante. Vc sabe bem que há mtos estudos filosóficos, políticos, jurídicos sobre o assunto. Trabalhos sérios, teorias sérias, desenvolvida ao longo de mais de 40 anos. Vc se deu ao trabalho de estudar o assunto que vc luta e chama de irracional?
    Já que pelo visto vc gosta de autoriadades, o ex- presidente do STF Joaquim Barbosa Gomes, escreveu um livro de 600 paginas sobre os vários tipos de ação afirmativa. Menos o sobre raça, pois ele achou que seria parcial. Ele é o primeiro juiz do STF negro.
    E o merito, vc sabe o que é isso? Vc mede e pesa o merito numa balança?Como vc acha que pode falar de igualdade, discriminação, mérito, em 5 linhas de um blog. E vc acima de todos deveria saber…talvez a filosofia nao tenha sido mesmo a sua salvação.

  4. Priscilla Says:

    I HAVE A DREAM…

  5. Leandro Damasio Says:

    Não sou eu nem estóico nem tomista para buscar na filosofia a “salvação”. Eu quero a melhoria, na prática, da educação brasileira. Imagino que você conheça a realidade das universidades públicas brasileiras, que elas nem sequer conseguem formar bons professores para nossas escolas. Acho que a universidade pública precisa repensar seu papel estratégico para formar pensadores e profissionais de alto padrão. Do contrário, os bilhões que pegamos são desnecessários.

  6. Priscilla Says:

    O que é dinheiro, perto do que a teria da ação afirmativa, provém de uma concepçao de Estado igualitaria, fala de cidadaos serem tratados como iguais de verdade, nem que para isso seja alcançado tenha que se usar métodos parciais. O que falo é igualdade, cidadania, liberdade política. Dinheiro? que imposto que vc paga?

  7. Priscilla Says:

    e foi o Heidegger que falou da filosofia como salvação

  8. Priscilla Says:

    E não deturpe a argumentação da ação afirmativa. O BRASIL JÁ É UM PAÍS DIVIDO EM CASTAS E SEMPRE FOI!
    Se ele continuará sendo dependerá da existencia de ações políticas como essa. A discussão sobre preconceito, racismo, estratificação racial, só voltou a discussão pública por causa da ação afirmativa. E isso já é uma vitória. Agora se vc acha que a questão se reduz a dinheiro publico (dinheiro esse que deveria dar recursos a TODOS os cidadaos) e ao mérito e será ele que o responsável por separar os iguais dos não-iguais. Que apenas algumas pessoas (cidadãs) podem ser escolhidas para ter representação e liberdade política. Continue na sua luta! Mas pense de novo: a Universidade é um centro de exclencia, e por isso mesmo, sua função é mto maior, ela deve ser um centro de promoção de justiça social e igualdade, e fazer fervilhar discursos fundamentados, e não passar mensagens vazias.

  9. Leandro Damasio Says:

    Tanto quanto você, eu quero para meu país cidadãos livres e iguais. Mas palavras vagas não levam a lugar nenhum. Estou dedicando os próximos anos da minha vida para compreender os problemas e buscar soluções para o sistema educacional brasileiro. Não é sonho, é um planejamento consciente para elevar nossos indicadores de desempenho escolar, de inserção no mercado, de participação cidadã. Eu não sou radical. Procuro ver o lado bom e ruim das coisas. Se você consegue mostrar mais resultados positivos do que negativos da política de cotas nas universidades públicas, estou ansioso para conhecê-los.

  10. Priscilla Says:

    Engraçado…é vc quem está fazendo mobilizaçoes, aparecendo na tv, no jornal, então acho que se alguém tem que mostrar algum argumento, ou provas de quanto a política é maléfica é vc e não eu. O retrono da questão para mim, só demonstra o seu desprepraro e seu des-conhecimento em relação a questão essencial. Não são suas palavras que são vazias, masa sua “luta”. Vc fala que vc luta por sociedade igualitaria, por uma melhor educação. Mas vc nem se deu ao trabalho de estudar os argumentos de filósofos, juristas e cientistas sociais que possuem teorias que coadunam sua teoria igualitária com a ação afirmativa. É mto facil voltar a questão para mim, e continuar chamando a ação afirmativa de irracional e preconceituoso…mas essas palavras são vazias param mim qdo vc fala delas, pq vc explica seu significado.
    Vc se dá o trabalho de usar suas “influencias” com senadores mas sem ter nenhum argumento racional aceitável.Isso é demagogia, e nao ideologia. Falar que mérito é essencial, e falar de dinheiro público indo diretamento para pobres e negros e que isso nao é justo – isso é elitismo, e não uma luta consciente, preparada, justificada.

  11. Priscilla Says:

    ou melhor, vc NÃO explica o seus significados.

  12. Leandro Damasio Says:

    Em primeiro lugar: o movimento é uma reação à política de cotas que JÁ FOI implantada na UFSC. Então, nós exigimos, sim, explicações e justificações.

    Ainda assim, não poupamos argumentos. Existem duas páginas neste blog e um tópico com 300 posts na comunidade do orkut debatendo a política de cotas. Até agora ninguém mostrou argumentos satisfatórios que demonstrem a necessidade dela. Mas se você conhece outros pensadores e argumentos, repito, tenho bastante interesse em conhecer.

  13. Priscilla Says:

    Eu li o que vc escreveu, e por isso falei que suas justificaçõe sao vazias. Cheias de “achismos”,suposiçoes, pre-conceitos…
    E a UFSC montou uma comissao que estudou, pesquisou durante 2 anos, com participação de alunos, professores dos mais diferentes centros da universidade, apenas sobre a ação afirmativa antes das cotas serem implementadas. O resuktado da pesquisa foi amplamente divulgado como justificativa RACIONAL para a sua implementação. Alias, a pesquisa continua a disposicão no site da UFSC, é só procurar. Vc está reclamando uma coisa que foi já foi feita.
    Isso só demonstra mais uma vez seu desconhecimento em relaçao a politica.
    Se vc quer estudar:
    Imperio do Direito- Dworkin
    Uma questao de principio- Dworkin
    Levando os direitos a serio- Dworkin
    A virtude soberada- Dworkin
    Ação afirmatica e o princípio constitucional da Igualdade:Joaquim Barbosa Gomes;
    O conteúdo juridico do princípio da igualdade – Celso Antonio Bandeira de Mello.
    PIOVESAN, Flávia. STF e a Diversidade Racial. [Rio de Janeiro]: Mundo Jurídico, 2005. Disponível em: cchttp://www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=593<. Acesso em: 30 out. 2005.
    MENEZES, Paulo Lucena de. A Ação Afirmativa (affirmative action) no Direito Norte-Americano. São Paulo: Editora dos Tribunais, 2001.
    FERNÁNDEZ, Encarnación. Igualdad y Derechos Humanos. Madri: Tecnos, 2003. 198 p. (Ventana Abierta).
    CRUZ, Álvaro Ricardo de Souza. O Direito à Diferença: as ações afirmativas como mecanismos de inclusão social de mulheres, negros, homossexuais e portadores de deficiência. Belo Horizonte: Del Rey, 2003.
    BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Rio de Janeiro: Campos, 1992.

    Isso para citar alguns, quando vc terminar de ler todos esses livros a gente discute de novo. E se vc quiser eu te passo mais alguns.

  14. Priscilla Says:

    Só para vc notar: os livros que te recomendei são de americanos, brasileiros, espanhois e italianos, ou seja, é o MUNDO de autores renomados, que se dedicaram a fundamentação da política.E nao palavras escritas em blog e orkut.

  15. Leandro Damasio Says:

    Eu não estou reclamando da comissão de fachada que a UFSC montou. Estou trabalhando para mudar essa situação. Achismo por achismo, você até agora não apresentou um argumento, senão recorrer a tal bibliografia. São autores, sem dúvida, renomados. Nem brincando me compararia a eles. Mas, na minha opinião, debates podem (e devem) ser feitos na esfera da linguagem cotidiana, em meio às experiências de vida dos cidadãos. Esta aí algo que eu jamais faria num debate. Despencar um conjunto de livros e dizer: leia-os para depois conversarmos. Isto é arrogante e anti-democrático. Mas parece ser bem essa a espécie de “igualdade” e “liberdade política” que você defende.

  16. Eduardo Peressoni Vieira Says:

    Tem gente que acha que tem moral para falar de disparidades, de injustiças, de desigualdades. Mas vê a favela pela janela do carro, conhece “a realidade” por meio de livros, somente pela teoria.

    Pois então… as palavras deste blog são o discurso-chefe do demagogo: “só investindo em educação de base alcançaremos bons resultados”. Este discurso prevalece há mais de 100 anos, a dita revoluação na educação não ocorre e as desigualdades continuam.

    Lamentável…

  17. Leandro Damasio Says:

    Sr. Peresoni, não creio que precisamos de mais investimento para educação. Dinheiro já temos o bastante. Precisamos, sim, é de gestão educacional. E aqui discurso demagogo não dirige carro nenhum. Até porque meus discursos andam de ônibus, e, mesmo assim, eles vão longe. Mãos à obra para administrar a educação brasileira. Eis o meu lema.

  18. Priscilla Says:

    “Mas se você conhece outros pensadores e argumentos, repito, tenho bastante interesse em conhecer.” Essas sao palavras tuas ali em cima.
    Arrogante e anti-democratico,( se é que vc sabe o que significa democradia, ja que vc faz loby por ai) é vc, que fala que é filósofo, que possui a razão e dispensa argumentos justificados.

  19. Priscilla Says:

    Até que demorou para começar a baixar o nível…

  20. Leandro Damasio Says:

    Para você jogar um amontoado de bibliografia é um argumento justificado? Eu fico feliz em você querer debater o assunto, trazendo outros pontos de vista, outros autores. Mas não dessa maneira. Por que você não apresenta o argumento (desses pensadores) contextualizado para a nossa discussão? Isto seria proveitoso para todos nós. Eu digo sinceramente que não quero lutar cegamente contra as cotas. Mas todo mundo que aparece para discutir, chega armado cheio de convicções e paixões. Pelo visto, você é diferente e possui teses defensáveis. Seria legal debatê-las. Sem essa de luta, confronto. Vamos compartilhar visões.

  21. Leandro Damasio Says:

    Qual o problema, para a democracia, em um grupo organizado tentar influenciar os legisladores que nos representam? Desde quando é pecado um defender suas causas perante as esferas institucionais de decisão?

  22. Priscilla Says:

    Leia Carl Schimitt, isso chama-se mandato imperativo, nao e democratico, pois a apresentada-se apenas como uma parte da vontade pública. Não é pecado, é anti-democrático. Ele representa o povo e não uma parte (ou vc).Não consenso sobreposto qdo alguem possui influencia com os representantes e os outros 99% não são ouvidos. Isso nao é politica, é negociação, barganha.Não o resultado de uma vontade pública.

  23. Priscilla Says:

    E pq vc ao inves de atacar a minha pessoa, (incorrendo em falácia ad hominem) vc não expõe as justificativas de quem é a favor. Eu sou completamente a favor e conheço a justificativa de quem é contra. E ataco o fundamento da argumentação e nao a pessoa.

  24. Daniel Says:

    Se a Lucimara (Priscilla) acredita que só depois de se produzir livros de 600, ou 800 páginas, ou depois de um doutorado sobre o assunto é que as pessoas podem discutir o tema, então por que ela não cala a boca e vai fazer o seu doutorado? Deixa a discussão pública pras massas ignorantes. Vá lá no seu grupelho de estudos reverenciar Dworkin.

    Engraçado como a Lucimara fala, fala, mas não diz nada. Só desqualifica, diz que não leram, que não sabem. Sabe ela se as pessoas já leram ou não Dworkin. Eu mesmo fiz uma das minhas pesquisas de PIBIC sobre Dworkin e Habermas. Por que ela não cala boca antes de falar tanta besteira e querer desqualificar? Quer a todo custo desqualificar, mas na hora de apresentar UM argumento… falha. Ah vá pastar.

  25. Danilo Says:

    Se queres debater, então vamos debater.
    Também achei uma atitude completamente elitista da tua parte organizar uma mobilização contra cotas. Concordo que a diversos pontos na política de cotas que devem ser discutidos, mas fazer uma mobilização contra é voltar ao zero, é negar que há preconceito no Brasil.
    Pq eu não vejo mobilizações contra a discriminação no Brasil? Pq eu não vejo mobilização protestando contra os séculos e séculos que os negros não tiveram oportunidade nenhuma e nos quais as “cotas” em todas as esferas públicas era 100% para a elite branca?
    Acho engraçado que justamente ao surgir uma única política afirmativa com o intento de inserir o negro na Universidade,aidna que deva se discutir a sua forma, a elite branca já trata logo de se mobilizar e protestar.
    E quais são os argumentos? Mérito? Qual o mérito de se estudar a vida toda em escolas particulares?
    André Marenco, cientista político da UFRGS explcia justamente que a adoção de um sistema de cotas é completamente coerente com uma política de meritocracia já que , no princípio, meritocracia surgiu como uma alternativa a ocupação de cargos públicos somente pelo status do nascimento.
    Imagino que tu já deva ter lido John Rawls, e conheça a posição dele a respeito de justiça como equidade. Vou recomendar uma bibliografia dele: Justiça como equidade : uma reformulação .

    E para não ficar apenas nos livros também vou recomendar um texto curtíssimo que o André Marenco publicou, assim fica muito mais fácil para todos lerem e discutirem os argumentos utilizados por ele.

    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/06/386698.shtml

  26. Leandro Damasio Says:

    Priscilla.

    1. Você é a Lucimara?
    2. Onde você viu barganha ou negociata? Por que solicitar a um senador – pelo qual você se sente representado – votar contra um projeto de lei seria anti-democrático?
    3. Acabei de reler a discussão inteira, e só encontrei ataques pessoais vindos de você. Esqueçamos, e vamos debater o artigo do André Marenco.

  27. Priscilla Says:

    Isso só demonstra a sua má vontade em discutir o problema no cerne da questão Daniel. Fica aí xingando as pessoas sem saber de nada…absurdo….
    Eu sou a Priscilla, tua amiga que estudou contigo para a seleção do mestrado ano passado.
    Depois dessa, sinceramente desisti de discutir e vou é ser mesmo arrogante, valorizar o meu trabalho e não perder tempo discutindo dessa forma.

  28. Priscilla Says:

    Meu Deus…coitada dessas Lucimara…
    Vcs acham que estão sendo perseguidos politicamente é isso?
    É sim, é anti-democrático, se vc entende por democracia tendo como principíos a publicidade, discussão pública, vontade pública. Alguém com um “certo” poder e influência sobre os representantes e lutando para querer que eles resolvam assuntos politicos que concernem a todos os cidadaos da forma que VC pensa é braganha, negociação é politicagem.
    Eu sou a favor das cotas, estudo o problema há mais de 4 anos, e mesmo trabalhando no governo nunca fui dar uma “conversadinha” com deputados e sendores a respeito do assunto. Isso não é interesse politco, mas interesse privado, da forma como vc faz.Entao, se vc acredita no debate público, arranja uma reunião com esse senador que vc tem contato, para que as pessoas que são a favor da politca tbm possam expressar sua opinião: isso chama-se consenso!

  29. Leandro Damasio Says:

    É uma boa idéia. Podemos convidar não apenas ele, mas todos os três senadores catarinenses, para discutir o assunto na Universidade.

  30. Priscilla Says:

    Sim, mas em época de aula. Convidaremos, todo mundo que se dedica ao estudo do assunto, a comissão de ação afirmativa da UFSC, que apesar de vc dizer que é uma comissão de fachada, realmente estudou o assunto. aí está o link com atas de todas as reunioes desde 2006, e o projeto. O link está na pagina inicial da UFSC.
    http://www.acoes-afirmativas.ufsc.br/

  31. Eduardo Peressoni Vieira (O Verdadeiro) Says:

    Leandrão,

    Sou contra as cotas! E te parbenizo pela iniciativa!

    Gde abraco!!

    Vieira

  32. Leandro Damasio Says:

    Detalhe que ali em cima usaram falsamente o nome do Eduardo Vieira para criticar o blog.

  33. Daniel Says:

    Priscilla,

    Desculpe. Confundi.
    A argumentação dessa cidadã Lucimara é muito parecida com a tua.
    Principalmente no que diz respeito a mandar os outros irem ler o senhor Barbosa, ou ler Dworkin.
    Acho que com isso estás inviabilizando o debate público de idéias. Por mais pobres que te pareça ser você precisa argumentar. Se te cansa ou te irrita argumentar com não-especialistas, é compreensível, mas é assim que as coisas são. Ou você acha que por acaso todos os membros que discutiram a política de cotas na UFSC eram doutores em ação afirmativa?
    Talvez se você tivesse colocado seu sobrenome.
    Bom, desculpe mesmo.

  34. Priscilla Says:

    Vc se está certo sobre isso, realmente me cansa e me irrita. Por que a questão da ação afirmativa depende de uma concepção de Estado, de cidadania, de democracia, de igualdade, de liberdade, de interpretação constitucional, de decisão política…são tantas coisas envolvidas que quando vejo uma discussão rasa como está aqui nesse blog, ou na comunidade da UFSC eu me desanimo…e muito!!O carinha falando que quem gostaria de ser atendido por medico negro cotista ou branco em primeiro lugar no vestibular para mim isso chega a ser nojento de tão preconceituoso. Mas é nessas horas que re-afirmo ainda mais minha posição. E não adianta, existem questões que simplesmente não podem ser discutidas dessa maneira, vc realmente precisa de um preparo teórico. Ou vc seja que se não fosse assim, eu não teria escrito uma monografia e continuo escrevendo a dissertação sobre isso? Não é arrogancia, isso para mim é querer criticar sei lá…as categorias do Kant sem nunca ter lido nada.
    E acho que todo mundo que realmente se dedica ao assunto, e conhece seus maiores problemas concordam comigo. Foi por isso que vim aqui dizer, que se quer lutar contra as cotas me dê pelo menos uma justificativa que não seja racista ou elitista.

    Só um adendo ao artigo que o Danilo mandou, e isso estava em “discussão” na comunidade da UFSC. Talvez o críterio que deveria ser utilizado nao seria a ‘raça” mas sim a cor, como o IBGE faz nas estastiscas deles; preto, branco, amarelo. Pois será na cor que as pessoas irão reconhecer os “não-iguais”, e dessa forma, as pessoas pretas carregam um preconceito que ninguém sabe o que é. Como diria o Dworkin: “Elas sao negras e nenhum outro critério vai ser utilizado em um país racista, para designá-las” E mais uma vez, o critério socio-economico tambem é utilizado para complementar a “raça”. De acordo com o útimo censo do IBGE (2000) apenas 0,8% dos pretos cursam o ensino superior, contra 87% dos brancos. Essa estatistica é igual ao dos EUA, considerado um dos paises mais racistas do mundo, que só deu poderes civis e políticos para negros em 1962 (ou 67, não me lembro).
    Por isso, a ação afirmativa para negros é ainda mais importante do que as sociais, pois o racismo só será “curado”( se é que um dia será) quando os indivíduos se desenvolverem. A ação do Estado portanto, é essencial, pois confirma o princípio da igualdade de todos os cidadaos serem tratados como iguais, acima de qualquer preferencia ou preconceito individual. Dessa forma,não é uma ação preconceituosa, mas muito pelo contrario, faz com que os recursos sejam distribuidos igualmente para todos, fazendo assim, a redistribuição para quem não percebe as mesmas condições de existencia.

  35. Daniel Says:

    Discutir as categorias de Kant não é um assunto público, de interesse das pessoas e nem um assunto que tenha conseqüências diretas ou indiretas sobre a vida das pessoas. Já as cotas, sim. E se um pesquisador quiser discutir o assunto no âmbito público vai ter que ter paciência.

    Concordo contigo que a maioria dos argumentos são racistas, ou elitistas, ou que muitos queiram tão somente perseguir os colegas cotistas. Mas isso porque não pararam um pouco para refletir e elaborar sua posição de forma racional. Se você me acompanha na comunidade UFSC vai notar que condeno o tempo todo esse tipo de discriminação. Da mesma forma que condeno a discriminação criada por cotas.

    É estranho que para resolver o problema da desigualdade enorme entre “negros” e “brancos” tenhamos que falar novamente em raças. Criar raças, enfatiza-las, dividir a sociedade em raças. Me parece que estamos dando um passo para atrás e reforçando o racismo.

    Estranho que o país mais racista do mundo tenha eleito Barack Obama. Será que cotas raciais não é de fato um pseudo-problema?

  36. Priscilla Says:

    O fato de eles terem eleito o Obama não quer dizer que eles nao sejam racistas. Não super-simplifique as coisas Daniel. Eles estão em guerra que está tirando dinheiro dos cidadãos, crise economica, recessao, e tudo veio a tona no governo republicano.Qualquer um que se candidatasse ao partido democrata teria ganho essas eleiçoes, nao é a toa que durante as previas se falava mais do embate Hillary e Obama do que do Mcain.E a Hillary só não ganhou pq ela perde de 1000 para o Obama em carisma, e mesmo assim, foi a prévia mais competitiva da historia.

  37. Priscilla Says:

    Vc realmene acha que uma ação do governo querendo inserir negros e pessoas marginalizadas da sociedade nos centros de “elite” é racista? Pensa um pouco como isso é contraditorio…

    Racismo é tapar o sol com a peneira e esperar o dia que a igualdade vir por si só.Racismo é uma postura neutra frente as disparidades existentes. Racismo é achar que educação são apenas para os ESCOLHIDOS, os “NEO”S” da vida.Racismo é não admitir que racismo existe e as pessoas são mais prejudicadas com isso do que jamais alguem possa imaginar. Racismo é achar que existem ‘melhores”, mais “capacitados” e eles só devem se envolver com seus iguais.Racismo é o nivelamento do ser humano, a seleção. Racismo é saber da condição humana e se conformar com a situação, pq seus direitos individuais vem antes de tudo e de todo mundo.

  38. Daniel Says:

    Se eu estou super-simplificando a questão ao falar da eleição do Obama, então você está fazendo o que ao dizer que qualquer um poderia ter ganho? Veja que no início das discussões e disputas entre Obama e McCain eles estavam empatados. Uma época até o McCain estava na frente! No início da disputa entre os dois nem se falava tanto em crise. O americano comum nem entende o significado disso e não estava vendo grande impacto na sua vida. Depois que a coisa começou a pesar bem mais.

    Muitos analistas políticos e economistas diziam que o debate inicialmente estava muito focado em picuinhas. Discussões de segunda, terceira ordem, como as gafas de dona Sarah Palin.

    O próprio Obama sem dizer claramente, detalhando, como faria para lidar com a crise venceu. Ora, de onde vem toda essa fé? Qualquer um conseguiria chamar tantos eleitores para votar nele? Por favor, que isso!

  39. PRISCILLA Says:

    Bem, não entendi o que vc quis dizer de errado com que eu disse.
    Pois eu estava apenas tentando te dizer que a eleição de Obama não significa nada na questao da justiça razial por lá.
    Realmente não estou a fim de virar analista de uma sistema eleitoral que nem eles entendem…

  40. Elisete Says:

    Tenho 43 anos, e posso dizer que sou parda, talvez morena. neta de negros,minha avo nasceu no final da escravidão, minha mãe negra casada com meu pai branco, somos em cinco irmãos, sendo eu a única mais clara.
    Casei-me com um branco, tenho quatro filhos meu, e uma do coração que é bem morena, meus filhos todos brancos, mas somos pobres, tanto que minha filha prestou vestibular em uma faculdade particular, mas não esta estudante porque não tenho condições de pagar, não conseguiu entra em uma faculdade do governo.
    ENTÃO PERGUNTO QUAL A DIFERENÇA DE SER NEGRO, PARDO OU POBRE?
    DESCULPEM-ME PELO DESABAFO, MAS É TUDO A MESMA PORCARIA.
    TUDO REFERENTE À LEI DAS COTAS PARA NEGROS E PARDOS, QUE EU SEMPRE PENSEI QUE ERA ERRADO, ALIAS QUE ACHO ERRADA, SOU COMPLETAMENTE CONTRA.
    POIS ASSIM COMO NEGRO E PARDO PRECISA DE UMA FACULDADE O BRANCO POBRE TAMBEM PRECISA…
    A PARTIR DO MOMENTO QUE SE IMPLANTOU A LEI DE COTAS PARA NEGROS E PARDOS… VEM A PERGUNTAR AONDE ESTA A LEI CONTRA RACISMO, ESTA NAS COTAS …….A PARTIR DO MOMENTO QUE SE IMPLANTA LEI PARA ALGUNS TER O DIREITO DE CONSEGUIR ENTRAR EM UMA FACULDADE, ISTO JA É RACISMO, RACISMO CONTRA OS BRANCOS…….
    TEMOS QUE TER LEIS PARA RESPEITAR UNS AOS OUTROS, E ISTO É ALGO QUE SE ENSINA EDUCANDO , E NÃO COM LEIS.
    O NEGRO OU O PARDO É MAIS BURRO DO QUE UM POBRE BRANCO?
    PORQUE SERIA?
    SE AMBOS ESTUDAM EM ESCOLA PUBLICA.
    A LEI TEM UMA GRANDE FALHA, E TODOS SABEMOS DISSO.
    EXISTEM FILHOS DE RICOS QUE A VIDA INTEIRA ESTUDA EM ESCOLAS PARTICULARES, E LOGICO SEMPRE PASSAM EM FACULDADES ESTADUAIS OU FEDERAIS, TAMBEM SE NÃO PASSAREM… ELES SIM DEVERIAM SER CHAMADOS DE BURROS, AFINAL ESTUDARAM NAS MELHORES ESCOLAS, TEM A OBRIGAÇÃO DE PASSAR EM QUALQUER FACULDADE.
    DEIXO AQUI MEU RECADO PARA A HIPOCRISIA NOS SERES HUMANOS QUE ACHAM OU ACREDITAM QUE SÃO LEIS ASSIM QUE IRA MUDAR O RACISMO.
    RACISMO EXISTE A PARTIR DO MOMENTO QUE VOCÊ VIVE EM UM MUNDO ONDE SE SINTA EXCLUIDO…
    E É ASSIM QUE ME SINTO Há MUITO TEMPO, ONDE EU LUTO PARA DAR AOS MEUS FILHOS ALGO QUE NÃO TIVE, UMA FACULDADE E INFELIZMENTE NÃO POSSO, POIS NÃO POSSO PAGAR, E ELES NÃO CONSEGUEM UMA VAGA PORQUE A PROPRIA LEI JÁ É RACISTA.
    E ELES APESAR DE SEREM BISNETO DE UMA ESCRAVA, NETOS DE UMA NEGRA E POBRE NÃO CONSEGUEM CURSAM UMA FACULDADE.
    ENTÃO PERGUNTO AONDE ESTA O RACISMO?

  41. naked girls tube Says:

    Having read this I thought it was rather enlightening.
    I appreciate you spending some time and effort to put this article together.
    I once again find myself personally spending a lot of time both reading and
    posting comments. But so what, it was still worth it!

  42. Donette Says:

    Hello Dear, are you truly visiting this website on a regular basis, if so afterward you will
    without doubt get good experience.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: