Filósofo administrando o Bradesco

Quem estuda medicina se orgulha disso; quem estuda administração nem sempre. Mas no fundo todo mundo gosta de ver seu curso universitário bem sucedido. Talvez seja uma espécie de auto-afirmação, ou somente uma confirmação de que “minha escolha não foi tão errada”.

Verdade que cada curso tem sua noção de sucesso. O que um físico considera um grande feito nem sempre o é para um assistente social. Sempre foi engraçado comparar a noção do filósofo bem sucedido (alguém que escreve ensaios e obras imortais?) com o de um administrador, advogado ou engenheiro.

Por isso que foi divertido observar a notícia que se espalhou pela rede nesta semana, sobre a sucessão presidencial do Bradesco:

“Formado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Trabuco, 57 anos, é presidente da Bradesco Seguros, a maior seguradora do País – responsável por pouco mais de um terço do lucro do banco.” (Estadão)

Se não ficou claro, vamos a outro jornal:

“Formado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Trabuco, 57 anos, é presidente da Bradesco Seguros, a maior seguradora do País – responsável por pouco mais de um terço do lucro do banco.” (A Tarde)

O Rei-filósofo da República do Bradesco! Teve blogueiro se divertindo com a notícia: “eu queria mesmo era fazer administração, mas meu pai me obrigou a fazer filosofia por causa do dinheiro”.

Pelo menos ninguém escreveu algo como “apesar de ser formado em filosofia, Trabuco será o novo Presidente do Bradesco”.

Não vim aqui pra falar das vantagens de se aplicar os conhecimentos filosóficos para os meios empresarial, estratégico e político. Mas só pra lembrar, é obrigatório (por lei) o estudo de filosofia em qualquer que seja o curso de administração, no Brasil. Mas, vamos falar sério, é aquela disciplina que todo estudante de adm odeia. Ódio compreensível, mas aí é um lance de didática, que fica pra outro post.

Dizem que “Trabuco é visto pelo mercado como o homem responsável por trazer dinheiro para o grupo. A Bradesco Seguros, que ele dirige desde 2003, contribui com cerca de 40% do resultado do banco.”

Será que Trabuco utiliza os ensinamentos dos grandes pensadores em seu trabalho? É o que os blogueiros estão supondo:

Novas diretrizes secretas da Bradesco Seguro:
– O beneficiário de um seguro de vida nunca deverá receber a apólice, posto que a alma é imortal.
– Deve ser explicado sempre a um futuro segurado que ele está procurando o Bradesco de livre-arbítrio.

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6 Respostas to “Filósofo administrando o Bradesco”

  1. marcio bertoli Says:

    Este comentário é de muito mau gosto, ou teremos que desculpar este analista pela falta de conhecimento, o Sr. Trabuco é simplesmente encarado como um gênio no mercado segurador. Quem conhece a sua biografia sabe que não havia ninguém que poderia representar tão bem a diretoria executiva do banco como ele.

  2. Leandro Damasio Says:

    Os comentários maldosos eram copy & paste dos blogs supracitados. Da minha parte, fiquei feliz com a notícia. Se você ver ali no meu currículo, também sou formado em filosofia e, diferente da grande parte dos filósofos, gosto do ramo dos negócios, assim como o Pres. Trabuco.

  3. Leonardo Durand Says:

    eu realmente acho que, em VARIOS casos, melhor um filofoso administrando do que um administrador o fazendo
    haha

    abcs!

    omnia vincit

  4. Henrique Cahet Says:

    eu gostei foi do seu senso de humor. kkkkk

  5. elza aparecida da silva Says:

    na minha opinião um profissional tem que ser um profissional desde que ele aceite o cargo que lhe foi concedido, se ele é filósofo, administrador, engenheiro ou médico desde que tenha capacidade de exercer o cargo, não ha nada contra, pois tem muitos médicos que só tem diplomas por que o pai foi doutor e nem no consultório vai, se ele é um bom administrador é por que ele nasceu para tal, e tem copetência. E boa sorte.

  6. Jadir Antonio Da Silva Says:

    Penso, logo tiro a conclusão de que o mundo hoje necessita de pessoas com visões amplas, temos bom administrador de máquinas que ignoram seres humanos. Temos políticos que são bons para fazer a máquina Estado funcionar bem, mas são ignorantes em administrar gente, p.ex. dar uma boa educação à sociedade para que todos possam viver mais e feliz, afinal essa é a busca de todos os seres humanos. A máquina Estado é para o homem e não ao contrário, longe de defender o clientelismo, assistencialismo ou estatização de tudo, afinal viver é filosofar, só existe quem pensa, quem se reconhece e reconhece o outro como ser humano, por isso todos necessitam do exercício do pensar que está adormecido em si mesmo. O administrador terá grande sucesso se entender de seres humanos.

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