Jogo ambiental

Não é simples entender a macro política ambiental brasileira. Interesses e argumentos ainda nos aparecem distorcidos ou amorfos, cambaleando entre as possíveis combinações de progresso econômico e proteção ambiental, sejam estas combinações complementares entre si, sejam elas, ao contrário, como um jogo de soma zero. Não só as ONG’s ambientalistas, como também as entidades representativas dos setores econômicos divergem umas das outras, e divergem de modo aparentemente desordenado. Não à toa, portanto, assistimos à enorme confusão na política ambiental do atual governo federal; uma confusão de proporção tal, que lançou à arena dois nobres gladiadores públicos, Marina Silva e Mangabeira Unger. Quero me aproximar de pessoas que entendam a dinâmica da política ambiental. Aceito sugestões de autores, pensadores, engenheiros, jornalistas, enfim, quem quer que encontre ordem nesse caos de informações. O assunto é de importância magna: ninguém compreenderá o Brasil sem localizar o exato ponteiro deste debate. Não basta virar o rosto ao passado, mas, concordo, sem a história ninguém explicará nada. O assunto é complexo. Bem sei que as pressões internacionais pela proteção ambiental brasileira não são desprezíveis, assim como não as são aquelas doces taxas de lucro do agronegócio. A questão é: todos esses interesses não se apresentam em gavetas bem organizadas. Ora, ninguém recusa as principais leis federais sobre o assunto, a exemplo da Lei da Mata Atlântica e da Lei de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Em princípio, a proteção ambiental ganhou status de valor moral inquestionável. Há cerca de cem anos, duvido que alguém imaginasse liberalização sexual seria moralmente menos condenável do que escoamento de óleo de cozinha pelo ralo da pia. Torna complexa a compreensão política justamente a característica em voga: não são os valores que estão em jogo. Se assim o fosse, tudo seria facilmente explicado, mas não é Fla verus Flu, não é direito ao aborto verus vida de um embrião. O que realmente está em disputa? Supor que as empresas buscam seus lucros não passa de um simples ponto de partida, que em si não traz nenhuma conclusão mais sofisticada. Uma leitura material dos interesses das entidades representativas, ao meu ver, requer detalhar quais tipos de produção realmente demandam degradação ambiental. O Congresso Nacional sempre foi um bom lugar para encontrar quem é quem na política brasileira, mas até mesmo a tradicional bancada ruralista, como em poucos casos de nossa história, encontra-se dividida.  Você – arrisca um palpite?

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