Karl Jaspers

Iniciei hoje o tardio projeto de leituras de Karl Jaspers, um projeto jamais planejado formalmente e nem mesmo antecipado entre o grupo das preocupações prioritárias. Lá no interior da consciência, porém, uma voz gritante me ordenava conhecer imediatamente esse fantástico pensador. Desde que observei, em certo texto, a dedicatória de Hannah Arendt a seu mestre minha curiosidade foi aguçada. E a cada citação mais e mais aumentou o interesse. Karl Jaspers. Conforme suspeitei, em suas obras está presente parte das grandes noções arendtianas: liberdade como possibilidade, pluralidade como condição humana, comunicação como revelação existencial. Tudo isso foi por demais revelador. A comunicação é a “luta que o ser humano singular trava pela existência, ao mesmo tempo pela sua e pela [existência] do outro” (Philosophie, II). A liberdade, a abertura da liberdade, significa, para Jaspers, a exclusão de qualquer poder que condicione a existência do outro e própria. Um conceito plural de liberdade, diferente da classificação de Isaiah Berlin, em que liberdade negativa é contrária à liberdade positiva. Não. Em Karl Jaspers e Hannah Arendt a liberdade também é negativa: também se define por ausência de imposições. A teoria democrática dominante se ancora por sobre um conceito de liberdade, embora fundamental, limitado. E este conceito não se chama liberdade negativa, mas liberdade individual. Toda liberdade é, em certo ponto, negativa. Os liberais precisam rever seus fundamentos, precisam entender que a psicologia não nasceu apenas para curar pacientes; dela é possível extrair achados teóricos para pensar a política, as ciências e a filosofia. Precisamos ler com atenção Karl Jaspers.

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4 Respostas to “Karl Jaspers”

  1. Sérgio Nascimento Says:

    Interessante! Não tinha ouvido falar dele. Liberdade é sempre um valor indispensável pra qualquer sistema econômico, político ou social que se preze, e dá pra se concluir pelo texto que ela liberta não apenas o limitado, mas também o limitador. Contudo, algo que também me chamou muito a atenção foi o começo do seu texto: a voz gritante do interior da consciência.

    Sabe, hoje é tão difícil ouví-la. Na verdade isso não foi nada mais do que uma inspiração, algo intuitivo. E quantos de nós estamos acostumados a
    seguir nossas planilhas administrativas mentais de prioridade e ações, o famoso piloto automático… 1, 2, 2.1, 3.1.3. Será que isso nos trás coisas tão positivas quanto a mera tranquilidade de ouvir a própria consciência?

    Viva a liberdade da consciência! E continue ouvindo a “voz gritante”!

  2. Sérgio Says:

    Ressalva: óbvio que se precisa da organização do tempo, mas que isso não deixe de sufocar a criatividade.

  3. Leandro Damasio Says:

    Caro Sérgio, só hoje depois de muito tempo vi este comentário. Logo hoje em que Karl Jaspers, novamente, fez diferença grande em minha vida. Aprendi com ele a diferença entre o político e o estadista, vale a pena conferir. Um grande abraço e volte sempre.

  4. andre Says:

    Lindooo ! Gostaria de saber como fazer, pode enviar um molde ou as medidas? Não tinha visto nada igual!!!!

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