El fin

De repente fui pego portando uma xícara de café. Assalto à mão armada. A manhã era de primavera, mas o café estava quente feito verão no inverno. Que saborosas as primeiras horas da manhã! Quanto mais recheadas com manteiga e cobertas por puro silêncio. Só o silêncio e estava tudo quase perfeito em São Paulo. A cidade tem vida, pulsa cultura. Mas o barulho é de, às vezes, golpear a estima. Tenho escrito um pouco. Que é pouco? me há de perguntar alguém. Toda medida ganha sentido apenas e somente apenas quando comparada. Assim é o centímetro comparado ao metro; assim é sol e lua, o dia e a noite; assim é Celso, fará night? Enfim… – minha comparação é com o futuro. Pois jamais escrevi com tanta freqüência. E no próximo ano, ao que tudo indica, a freqüência se elevará a proporções inimagináveis.  Fosse comparado ao passado, diria: estou escrevendo muuuito. Mas o que é o passado, esse conjunto de hojes que permaneceram em um conjunto de memórias? Muito em breve, aquelas memórias deixarão todas de ser, e aquele passado específico já nunca existiu. Enfim… – uma alma errante bem podia também me indagar indiscreta: mas se você tá escrevendo tanto, por que não posta mais? Filho meu, a maturidade tem a única serventia de ensinar que as coisas são menos simples do que aparentavam. Mentira. Mas a gente costuma contar essa mentira para os fracos não se suicidarem em massa. Enfim… – as coisas que tenho escrito não são do tipo que se publica em blogs. São textos acadêmicos ou teóricos-não-acadêmicos, se é que me entendem, e é claro que não entendem. Também alguns textos literários engavetados virtualmente dentro do hard disk. Por lá devem ficar de castigo, até aprenderem a ser felizes na solidão – o destino certo dos corpos encaixotados no submundo. É hora de tomar o último gole. De repente o café esfria e tudo terá acabado. Mais uma vez, a verdade será dita não em princípio, mas em fim.

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Uma resposta to “El fin”

  1. iuana Says:

    Minha nossa, isso está sútil e lindo. Alias o que não lhe falta é sutiliza, praticamente Milan Kundera. Mas…algumas partes estão pesadas, meio…Augusto dos Anjos. Ok, é uma forma de ver as coisas. Ou talvez
    apenas uma forma de deixar a escrita mais impressionante. Agora se isso representa o jeito que vc realmente tá enxergando, eu lhe lembro de que no infinito mundo das possibilidades existem formas muito mais bonitas e felizes de se ver as coisas. beijo!

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