Covardia

Minha vida pode ser resumida com o seguinte trade-off: no eixo x: iluminação e ventilação; no eixo y, silêncio. Na melhor das covardias, dois contra um. Exceto pelas noites, posto o sol; nelas a iluminação pula para fora do gráfico, e a justiça se faz de conta. Assim dito, parece que, de dia, o ponto paretiano joga a favor das buzinas, e, de noite, a favor do silêncio. Não é bem assim. De dia, prefiro a janela fechada. Troco o calor e a luz pelo silêncio. De noite, quando os carros cessam, prefiro a janela aberta, de maneira que minha vida, como a de todo mundo, é uma eterna luta pelo silêncio. Tudo isso se altera nos finais de semana, porque neles o ritmo dos carros é proporcionalmente inverso. Inversa também seria essa descrição, se eu falasse a verdade. E a verdade é que não há uma janela. O perigo da janela consiste em olhar sem ser visto. De repente você se encontra lá em baixo e esquece que há, sim, duas janelas: uma dentro da outra. Poderia fechar a parte de vidro e abrir a de madeira. Isso possibilitaria iluminação sem ventilação. A conclusão mais banal é a seguinte: a situação perfeita só ocorre durante algumas horas do final de semana. Mas, nesse caso, a semana já acabou, o ano já acabou e, afinal, o que não acabou?

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3 Respostas to “Covardia”

  1. iuana Says:

    No meu entender, não existe o acabou, nunca acaba.
    nada acabou.

  2. iuana Says:

    o dia acaba e vem a noite, mas depois vem outro dia.
    vem a morte, acaba a vida, mas a vida vem de novo, em outro lugar
    e nossa papel nisso tudo e seguir o caminho da evolução e progressão contínua.
    Vamos nos lapidando e aos poucos descobrindo o diamante que sempre fomos, só precisavamos tirar umas lascas aqui e ali. À medida que vamos tirando, a luz vem aparecendo e iluminando o mundo, e os outros e a nós mesmos…
    beijos

  3. Priscila Says:

    É, o que não acabou, e um pouco ficou? tudo é passa, mas sempre deixa algum aprendizado. A vida está sempre em movimento, mesmo quando você acha que fica parado. Que bom que tudo muda, na minha opinião, pois é aí que podemos compartilhar dessa mudança com outras pessoas, e nos transformar a cada dia pro caminho do Bem, da Beatitude. Eterno é mesmo o divino que há em nós.

    Um beeijo grande, Leandro

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