conhecimento

No desvio dalgum rincão do universo cintilante, inundado pelo fogo de um sem número de sistemas solares, houve uma vez um astro no qual certos animais inteligentes inventaram o conhecimento. Este foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da história universal, mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, o planeta congelou-se e os animais inteligentes tiveram todos de morrer. Esta fábula mal chega a iluminar suficientemente o aspecto lamentável, frágil e fugidio: o aspecto vão e arbitrário dessa exceção que constitui o intelecto humano no seio da natureza. Eternidades passaram sem que existisse; e se ele desaparecesse novamente, nada se teria passado, pois não há para tal intelecto uma missão que ultrapasse o quadro de uma vida humana. Ao contrário, ele é isto, humano, e somente seu possuidor e criador, o homem, o trata com tanta paixão, como se ele fosse o eixo em torno do qual girasse o mundo. Nada há de tão desprezível e de tão insignificante na natureza que não transborde como um odre ao menor sopro dessa força do conhecer, e assim como todo carregador quer também ter o seu admirador, o homem mais arrogante, o filósofo, imagina ter também os olhos do universo focalizados, como um telescópio, sobre suas obras e seus nobres pensamentos.

Uma resposta to “conhecimento”

  1. Leandro Damasio Says:

    eis uma’daptação do primeiro parágrafo de sobre a verdade e a mentira no sentido extramoral nietzsche f

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