A boa vida

A origem é como um milagre, pois contraria a certeza aparente. Do fluxo eterno do Universo vem à luz o Planeta Terra – contendo água, árvores, animais. E, assim, da vida inorgânica da natureza se origina a vida orgânica. Uma vida não é apenas movimentada por forças externas. Vivo, um organismo se movimenta, como se possuísse um motor interno.

De repente, uma vida adquire consciência de si. Esta é a vida humana: uma improvável combinação de material orgânico situado num improvável ambiente planetário. Esta vida, a vida humana, atribui significados. Este detalhe – aparentemente banal para nós, homens, que assim vivemos cotidianamente – possibilita a improvável reflexão sobre a própria vida. Então, a sobrevivência – típica dos seres vivos – passa a ser entendida como um pressuposto, e não como a finalidade. Ressignificando a vida, o homem engendra um edifício de pensamentos. Encontra uma alma por trás da vida, encontra a noção ética por trás da ação, encontra o conhecimento por trás do pensamento – de modo que a vida já não basta: queremos a boa vida.

Torna complexa a busca pela bondade a condição social inerente à vida humana, porque a qualidade ética, então, precisa, por um lado, buscar o sentido do Bem na esfera pública, mas precisa também, por outro lado, entregar o sentido do Bem na organização da sociedade e na produção da bondade que beneficia essa organização.

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