Archive for the ‘Educação’ Category

ESTRANGULAMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA

1 Março, 2016

O mundo da educação está sofrendo mais do que o normal. O estrangulamento da rede pública de ensino básico acontece por duas vias. De um lado, um corte total de 17 bilhões em dois anos do orçamento destinado para a educação básica, motivado pela queda das arrecadações, fruto da crise fiscal na federação. De outro lado, a queda de 12% nas matrículas da rede privada, motivada pelo aumento do desemprego e da inflação, fatores que se unem ao endividamento familiar no perigoso contexto de desvalorização da moeda, falta de crédito e recessão.

São os fatores macroeconômicos que incidem diretamente sobre o desempenho da educação, cujos índices de aprendizagem mostravam qualidade estagnada e agora começam a apresentar queda de qualidade.

O Piso Nacional, porém, continua firme. A legislação nacional está clara como nunca: é preciso reajustar os salários de acordo com o Piso Nacional. Deste modo, haverá mais esta pressão sobre o sistema geral da educação: aumento de custo em razão do justo aumento de salário. O problema é novamente econômico: como aumentar os salários com menos recursos para gastar? A primeira e mais fácil alternativa é evidente: reduzir o quadro de professores. É isto infelizmente que vai acontecer, o que trará ainda mais impacto na queda da qualidade.

As soluções mais complexas envolvem riscos altos, por exemplo: retirar recursos da saúde ou assumir dívidas para investir em educação. Não parece razoável um governante deixar de investir os limites mínimos constitucionais em uma área como saúde em tempos de epidemias que alarmam toda a população. Também não parece nada razoável continuar o modelo de endividamento do Estado, pois este é justamente um dos principais fatores geradores da crise fiscal que afeta de modo tão agressivo a trajetória de evolução da educação.

O fato é que o Brasil começa a perder uma luta histórica pela melhoria da educação. O ofuscamento da questão educativa nas nas rodadas de debates sinaliza um retrocesso, justamente agora que temos dados para mensurar o desempenho da política pública educacional a partir dos exames de proficiência dos estudantes.

É assim que estamos: apesar dos avanços na agenda educacional dos anos 80; apesar das excelentes reformas nos mecanismos de avaliação do desempenho educacional dos anos 90; apesar da clareza legislativa quanto ao necesśario reajuste de salários dos professores, estamos regredindo na questão mais importante, que é efetivamente a alfabetização dos estudantes da rede pública.

Esse diagóstico estrutural mostra que chegou a vez dos professores conseguirem executar o seu dom para além dos esforços políticos. É hora da pedagogia em si. Aumentar a receita, gerando maiores oportunidades para investimentos em educação, é um dever econômico dos agentes políticos, mas isto exige um ajuste que o governo brasileiro ainda não iniciou.

Aliás, o projeto educacional do governo petista sempre foi destinar recursos para o ensino superior, quando o Brasil não oferece os pilares básicos que sustentam essa etapa do ensino. Deveríamos logicamente investir muito mais no ensino básico. Porém, os planos de investimentos no ensino infantil foram apenas maquiagens eleitorais. Caíram no primeiro sopro da crise fiscal.

As necessárias reformas gerenciais no ensino fundamental até hoje são combatidas por muitos agentes do campo educacional. Infelizmente, existe uma péssima compreensão do que seja administração pelos atores que debatem política educacional.

A necessária flexibilização do ensino médio também não avançou, a despeito do consenso que já existe no campo sobre esse tema. Definitivamente, o problema da educação não está na falta de matérias ou na falta de conteúdo curricular. Não é inserindo uma disciplina nova que vamos solucionar o problema, mas sim preparando continuamente melhores professores e fazendo-os chegar com motivação nas regiões em que mais se necessita evoluir a qualidade de ensino.

O campo educacional precisa compreender os desafios econômicos, saber direcionar muito bem as ações, assumir com cautela o direito de greve no atual contexto fiscal-educativo, compreender que as reformas precisam gerar mais autonomia para as escolas e menos concentração de poder no estamento burocrático do poder central.

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CRISE NA EDUCAÇÃO: A REFORMA NECESSÁRIA

13 Fevereiro, 2016

Não existe ambiente propício para, digamos assim, resignarmos ao conflito eminente da sociedade brasileira, imersa na abissal crise política, que dividiu o país em intermináveis batalhas de toda ordem. Deste modo, meu único desejo de retomar o fio da meada no campo educacional é firmar posição para não deixar esvaziar assunto tão básico para a evolução social. Não quero, com isso, desviar o foco de outros problemas mais sérios de ordem política, que precisam ser resolvidos.

Apesar da reforma estruturante na educação no período pós-constitucional, empreendida com razoável êxito pelo governo FHC precisamente na metade da década de 90, os avanços não surtiram maiores efeitos devido à negligência dos últimos 15 anos de ingerência na política educacional. Apesar da estruturação das avaliações de desempenho dos estudantes, melhorando o ambiente informacional para tomada de decisão, o Brasil viveu nos últimos anos uma triste época, sem a devida atenção para a política educacional para além da expansão às cegas do gasto público, amplamente mal direcionado para o ensino superior.

O que os governos do PT fizeram nada mais foi do que maquiagem sem impacto na vida dos estudantes, sem trazer para a sociedade brasileira a necessária evolução estrutural da educação. Aumentaram salários de professores? Sim, o salário seguiu de acordo com a gigantesca inflação do período, sem ampliar a oferta de vagas para professores, o que ainda se faz necessário. O foco do governo Lula sempre foi em ações aparentes, de visibilidade eleitoral, sem buscar resolver os verdadeiros problemas.

O que deveria ser feito claramente era assumir os desafios da escalada de qualidade na alfabetização, desde as primeiras sérias do ensino fundamental. Mas o que o governo fez nessa última década e meia foi ampliar os gastos com Universidades Públicas, medida esta que atende um público bem delimitado de apoiadores políticos, vital para os interesses populistas, com ampla adesão das associações de reitores e sindicatos de professores às campanhas eleitorais dos grupos que, em última instância, viriam a se unir pelos mesmos interesses do Lula.

Hoje nós temos uma calamidade na educação brasileira. No momento em que a crise econômica afeta grosseiramente as classes mais pobres, também os governos municipais ficaram à mercê de um federalismo fantasioso. Nas metrópoles, poucas famílias podem contar com apoio do poder público para garantir acesso às creches, um fator essencial para o desenvolvimento das crianças.

Todo o ensino fundamental ficou estagnado. Acabamos de assistir a passagem de uma década sem nenhum avanço nos indicadores de aprendizagem. E ainda bem que temos indicadores de qualidade! Pelo menos isto ficou como legado da década de 90. O ensino médio continua o mesmo: um amontoado de conteúdo curricular para ser transmitido de forma hiper-fragmentada por professores, no mais das vezes, desmotivados.

Precisamos repensar nosso modelo educacional. Inverter as prioridades de investimento é o primeiro passo. Virar o orçamento do MEC como se fosse uma ampulheta, gastando menos com Institutos Tecnológicos e Universidades, e fazendo sobrar recursos para o ensino básico. Além disso, precisamos modernizar as escolas. Mais autonomia, confiança e responsabilidade sobre os diretores escolares. Menos ingerência das burocracias estatais.

Existe uma tarefa contínua, que é revisar a qualidade dos materiais pedagógicos e da capacidade dos professores. Mas infelizmente só vimos retrocessos do atual governo. O que existe é uma banal disputa política sobre conteúdos curriculares, quando deveríamos focar na permanente capacitação e – por que não? – avaliação dos professores.

O ensino médio deveria seguir o modelo italiano, em que, logo após o fim do ciclo do ensino fundamental, os alunos são indicados ou procuram escolas de ensino médio vocacionadas para as mais diversas frentes de estudo, seja ele científico ou acadêmico, seja profissional ou tecnológico. O atual modelo desgaste todos sem beneficiar ninguém.

Enquanto o Brasil estiver se arrastando pela crise, não haverá ambiente para se debater política educacional. Nem por isto devemos deixar de refletir o assunto, pois ele é um pilar essencial para o desenvolvimento nacional.

Realeza

10 Abril, 2012

O que é um feito? Existem dois tipos de feitos. O feito feito enquanto fabricação. Este é o fazer de coisas feitas. Fazendo, o fabricante coloca seu trabalho à disposição daquilo que se projetou como o que se vai fazer. Diferente é o feito realizado. Aqui, não existe fabricação. Estamos falando da ação. Então, a dimensão é outra: estamos no entre nós, no circunspecto das nossas próprias possibilidades. Tudo o que há de diferente ganha corpo e faz crescer a igualdade existente. Os grandes feitos, dignos de lembrança, surgem nesta esfera. Porque o dirigir-se-nobremente reside fora dos degraus que separam, em hierarquia, aqueles que fazem grandes feitos. Na vanglória das diferenças está aquilo que ultrapassa a tolerância. Isto é fruto de imensa educação para liberdade. A grandeza é uma genialidade de povos cuja força equivale à nobreza.

inep

14 Fevereiro, 2011

 

 

Depois de uma manhã repleta de entrevistas, olhei pra trás, mirei a lente e pensei “agora te peguei”, mas não; ainda faltam algumas análises para capturar a dinâmica do INEP e defender a dissertação.

Educação e Jornalismo

23 Agosto, 2009

epocaBasta ler as duas últimas Épocas para observar a relevância atribuída à política educacional e à gestão escolar. Não se trata de um detalhe. Na última edição foram 16 páginas de reportagem especial.

Em foco estava o Enem. Seleção para universidades chegando, assunto em pauta. Quando li, a vontade imediata foi criticar a reportagem pelos erros, pelo consultor entrevistado, pelas explicações inválidas sobre a diferença entre os estados. Falta qualidade na análise. E é perigoso quando isso acontece. Porque os números confortam de algum modo o leitor, porquanto sua análise pretende com algum grau de validade científica. Uma análise equivocada causa distorções na informação que o cidadão receberá.

Além disso, avaliações como o Enem são polêmicas. Há alguns setores da política que, às vezes de maneira irresponsável, descem a lenha em avaliações externas. De fato, as avaliações, se mal interpretadas, podem vir a se tornar contraproducentes.

Ainda assim, a reportagem da Época superou as expectativas. E por isto a reação de criticar foi apenas imediata. Logo depois resolvi escrever elogiando e parabenizando a redação. Veja e Época, ainda que concorrentes, as duas revistas semanais enfrentam corajosamente a dificuldade jornalística de comunicar sobre a política educacional, abrindo cada vez mais espaço em suas redações.

Verdade que essas reportagem demandam rigor analítico. Mas estão elas anos-luz a frente das reportagens dos jornais diários. Entre esses, Estadão um pouco, não muito, melhor do que os outros. Em geral são repassadores de press releases. Para tudo há um começo. Ex nihilo nihil.

A melhor escola pública paulista no ENEM

4 Maio, 2009

Muita gente sensata detesta pensar que o sistema educacional precisa de heróis. Heróis como aquele professor à mil léguas de distância em competência ou como aquele diretor cujo talento isolado e trabalho incansável faz toda a diferença em uma escola.

Realmente, o sistema educacional brasileiro possui estrutura, história e capacidade para não depender do imprevisível. As escolas deveriam funcionar com profissionais médios e não com heróis.

Mas o diretor da escola pública melhor avaliada no ENEM do Estado de São Paulo faz um alerta. Entrevistado, disse que a única saída é um ou outro herói. Ele repudia eleição para diretor de escola e imposições políticas dos secretários de educação; conta um pouco da sua gestão, defendendo avaliações e diagnósticos técnicos.  Veja lá. É uma entrevista reveladora que deixa perguntas importantes no ar.

Federalizar o ensino médio?

4 Maio, 2009

Se compararmos a nota média das escolas públicas federais no Enem com as estaduais ou municipais, teremos 63 contra 47 de um total de 100 pontos. Isso levou o Senador Cristovam Buarque a acreditar que “não há saída para a educação brasileira a não ser através da federalização das atuais escolas públicas municipais e estaduais”.

Qual o erro do argumento de Cristovam?

Especialmente nosso problema

24 Abril, 2009

Como nenhuma outra geração na história universal, a nossa juventude viveu, rapidamente, uma ruptura extrema de valores. Dentre os milhares de anos em que a civilização humana habitou este planeta, foi há menos de 20 que experimentou a internet, isto sem o que nossa vida perderia grande parte do significado.

As mais variadas tecnologias com as quais cotidianamente convivemos não apenas eram inimagináveis há alguns séculos, mas talvez indesejáveis. Não seria exagero dizer que pela primeira vez nasceu uma geração perdida. Somos uma geração cuja tradição não exitou educar. O conhecimento não se passa mais do passado para o presente. Porque nossos pais sabiam menos do que nós ligar um computador ou um aparelho celular.

Se a ligação entre o passado e o futuro, essa ligação que somos nós, já dificultosamente encontra sustentação no passado, então há uma crise inevitável na tradição. Como usar os velhos conceitos para explicar o presente? Precisamos readaptá-los.

É assim que se vê a ascensão de palavras como a democracia eletrônica, e-service, e-gov, e-commerce e tantos outros. Conceitos assim cada vez mais revelarão o nosso tempo e criarão bases sólidas para uma nova tradição, que só podia ser construída da nossa geração para frente.

Quais as conseqüências sociais dessas novas teorias e ferraemntas? O ensino à distância, por exemplo, seria uma alternativa para melhorarmos o desempenho educacional?

Vejamos o Brasil: um país com avanço educacional muito lento em relação a outros países. Mesmo sendo o país mais rico da américa latina, o Brasil perde para Argentina e para o Chile nos índices de analfabetismo. O mais agravante, no entanto, é o analfabetismo funcional (saber ler, mas não conseguir interpretar o texto). Para cada 10 brasileiros, 7 são analfabetas funcionais. Quantos não são os analfabetos digitais! Eis uma nova preocupação. Mais uma dessas novidades da nossa geração.

Já que o passado não conseguiu nos educar, lancemos mão do futuro. É importante lançar o pensamento para longe. Nem que seja para investigar as possibilidades e conseqüências de uma ação. Este post é dedicado ao Movimento Blog Voluntário, na sua luta contra o analfabetismo digital.

Avaliação e Educação

2 Abril, 2009

Gostaria que algum amigo lesse essa reportagem para iniciar um debate. É só escrever um pequeno post para ser publicado aqui, e vamos discutindo por comentários. Alguém se candidata?

Primeiras medidas de Obama

22 Janeiro, 2009

Após o discurso de Obama (na posse), observamos as bolsas imediatamente despencando. Teria o mercado ouvido com maus ouvidos os versos presidenciais? Não acredito. Ao contrário, o discurso de Obama satisfaz as necessidades do mercado, porque demonstra pragmatismo nas decisões, rompendo as velhas ideologias. Na prática, as medidas são duas. Pacote de investimento em infra-estrutura  e corte de gastos públicos. Calma lá! Para se entender bem, é válido lembrar que os investimentos não serão úteis apenas por movimentar imediatamente a economia, gerando contudo sustentabilidade logística ao longo prazo, nem por salvar indústrias; além disso, o fomento será mediado por critérios sócio-ambientais com fins de mudar o padrão energético, a diminuição de CO2 e a distribuição de riqueza. Da mesma forma, o propósito do corte de gastos não é apenas riscar do orçamentos programas públicos gordurosos, mas sim promover maior controle social e tecnológico da gestão, com fins de dimiuir o desperdício. Bem provável que mudanças significativas apareçam no sistema de saúde público americano, o qual Obama censura como ineficiente. Alguém o conhece?

Hoje, no primeiro dia de governo, ele começou a pôr em prática 4 medidas em favor da promessa por transparência:

  1. Estabeleceu quarentena de dois anos para qualquer assessor que deixar o governo dele (para não traficar influência).
  2. Limitou o acesso de lobistas a alguns “corredores de Washington.
  3. Congelou os salários dos seus principais assessores, além de outros cargos do governo.
  4. Proibiu a troca de presentes entre lobistas e servidores públicos.

4 medidas via.