Reforma no saneamento básico: como e por onde começar.

11 Fevereiro, 2016

Sempre que nos dirigimos aos temas do saneamento básico é porque existe algum problema muito grave em discussão. Ninguém passa incólume de uma conversa informal sempre que levantada essa questão pública de primeira ordem.

Existem os que se recusam a debater, pois se trata de um problema tão complexo em sua magnitude e especificidades locais que não mereceria, a despeito de sua relevância, ganhar o centro da mesa de negociações. Mas também há entusiastas, gente que espera colocar o assunto na sua dimensão política de prioridade.

Entre os dois interlocutores, existe o consenso de que estamos muito atrasados. Todos concordam que existe um grave problema a ser resolvido. Em primeiro lugar, saneamento básico não é um problema exclusivamente local. No Brasil, é um problema nacional. Nós estamos falando não apenas de esgotos e favelas e rios com esgoto. Nós estamos falando de saúde pública, da qualidade da água e de uma dignididade muito básica do convívio humano dentro de um País.

Em segundo lugar, vale dizer que existe uma deficiência em nossa Constituição, e isto exige de nós uma reforma constitucional para criar uma destinação própria, já que os recursos da saúde, por razões óbvias, não são destinados para obras e reparos de saneamento básico, como previa o primeiro esboço do SUS.

Deste modo, o saneamento precisa ser resolvido com reforma constitucional, com dotação de recursos públicos para o enfrentamento do problema.

Infelizmente o Brasil não teve ainda, no atual ponteiro da sua história, um acúmulo de bons governantes para resolver boa parte dos problemas que mais do que nunca precisam ser enfrentados.

Não adianta querer resolver o problema pelos Estados, eles estão pressionados. A União precisa estabilizar a economia, e o governo federal está preocupado em sobreviver. Então resta novamente para os municípios brasileiros assumirem o papel de fiadores da democracia.

Neste sentido, parabenizo a Confederação Nacional dos Bispos pela escolha do tema Casa Comum, Nossa Responsabilidade. Este é um grande lema para atravessar o ano de 2016, para quem age com esperança de retirar esse obstáculo que atrapalha a penosa marcha do povo brasileiro.

Na situação em que chegamos, ao ver uma nação moderna perdendo a batalha para uma mísera espécie de inseto transmissor do Virus Zika, será grande a contribuição da Igreja Católica para conscientização e prevenção desse enorme problema que afeta metade da população brasileira.

É uma boa forma de engajar os crentes nessa filosofia da bondade nas ações mais justas, reguladas e bem conformadas às necessidades. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Romanos14.17)

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Esquartejando por fé

9 Fevereiro, 2016

De irresponsabilidade o mundo já está cheio. Da fraqueza e de seres rastejante que perpetram a vergonha do mundo. De gente morta de espírito; agem como um farol apagado no meio do oceano. São pessoas ativas, elas atrapalham, perambulam, vivem das cinzas de algum fóssil terrestre, com a secreção venenosa do fogo. Estes cinzeiros, pessoas feitas para receber a poeira do atraso, continuarão por aí: contaminando os isentos, falsificando as esperanças. Elas falam pelos cantos, e depois voltam para casa, mas antes disso falam e se escondem abaixo da costumaz sujeira que eles insistem em chamar de intelectualidade.

corte

6 Novembro, 2014

tudo em queda
dívida sobe

a guerra

11 Setembro, 2013

Maravilhoso o Sol brilha para todos os povos. Por que então a guerra?
É pelos direitos roubados.
Querem progresso?
Não sem liberdade.
Quando vamos parar?
O sol brilha em paz.

Desenvolvimento

6 Agosto, 2013

A cada cidade
a cada dia
nossa responsabilidade
só aumenta

smile

7 Janeiro, 2013

smile

Privado: Substância

28 Novembro, 2012

A cena é um gramado sem cercado, não distante do mar calmo. Um vovô cuidando dos netos, que brincam com o gato persa:

“Pietro, ele vai te arranhar! Maria Antônia, não puxa pelo rabo!”

E assim permanecem por um tempo que se equivale a uma eternidade de cada microssegundo. Aparece Maria Luiza, a mãe desses filhos, oferecendo uva verde em uma cesta. De rosto ela é muito parecida com a sua mãe, que observa da janela sem falar nada. O sorriso imperceptível carrega os estrelatos éticos de uma vida realizada, tudo menos importante do que aquele instante.

O ser

23 Novembro, 2012

Prólogo: A frase “qualquer coisa é” desperta alguma contestação? Por acaso algo não é? Não sendo não é, mas sendo é. A inexistência de um ser, já que é um ser, é um reconhecimento de um modo de ser daquilo que não se quer ser. A negação de um ser é uma forma de definir o escopo do ser referido. Somente o nada não é, mas o nada foge ao “qualquer”, ele está fora do “todo”. Qualquer coisa é; portanto, tudo possui um ser.

O ser equivale ao mais impalpável e impensável. Tudo, em alguma medida, é. Mas essas todas coisas são os seres. De fato, existem muitas coisas. Com exceção do ser, todas elas são determinações específicas. Como elas chegaram a ser? Somente o ser apenas é. Inevitável, então, que nada determine o ser, e que ele determine tudo.

O ser está em tudo, porque tudo recebe uma definição. Definir significa estabelecer a forma de alguma coisa. A forma impõe limite: a coisa vai até aqui, deixando de ser aquilo outro. Considerando que o ser é a vida da definição – pois A precisa ser A, e não ser B; a não ser que B seja A – podemos afirmar que tudo o que existe recebe uma existência a partir do ser. É como se o ser pintasse as cores da existência de cada coisa. Tudo existe como objeto de um pensamento já sempre envolto na existência.

O pensamento é apenas uma das partes de tudo o que pode ser. Sem o pensamento jamais chegaríamos ao mundo. É no mundo que o ser se abre para nós. Mas nós somos. E ao ser nós já fomos englobados pela existência. A rigor, o ser se abre, no jogo das existências, para si mesmo.

Este é um jogo que o universo não vê. O mundo confere existência ao universo. Mesmo a infinitude do universo obscurece o caminho do ser, porque todo espaço apenas é. Não o ser, mas o universo é infinito. Isto não quer dizer que podemos encontrar um ponto final para o ser. Ao contrário, o ser dispensa o espaço.

Verdade que o ser também dispensa a eternidade, porque ele sofre com o próprio jogo da geração e corrupção de tudo o que existe. Tudo o que é eterno não possui início nem fim. Portanto, a eternidade coloca o próprio tempo dentro de um envelope. Se a eternidade existe, então ela foi englobada pelo ser. A eternidade nós a encontramos apenas em forma de simulação, porque, afinal, nunca tocamos no ser, apenas nos diversos seres.

As múltiplas coisas são. Existem tantas coisas no mundo! Será que alguma delas pode ser de modo incondicional? Esta é a pergunta que nos conduz para a desconfiança do ser. Uma desconfiança que merece um caminho, o caminho do ser: possibilidade de sua abertura, encontrada no pensamento humano dentro do mundo.

Esse caminho rapidamente vai encontrar uma bifurcação para onde você pode seguir buscando a unidade ou se desviar pela multiplicidade. A unidade é um caminho sem fim. A multiplicidade é a única saída para encontrar as respostas sempre passíveis, todavia, de contradição. Este caminho invisível reside apenas no pensamento. Na medida em que o pensamento depende das definições, toda tentativa de pensar o ser já pressupôs de modo passivo a existência.

Porque tudo o que é, no universo ou no mundo, deixa de ser. O vir-a-ser significa ambos nascimento e morte. Tudo está sujeito ao fluxo da geração e corrupção. Ao explicar as leis desse movimento, a ciência decifra o universo. Ao participar desse movimento os homens existem na história, influenciados pelo espírito do tempo.

Ciência das ciências

16 Novembro, 2012

Podemos distinguir claramente duas diferentes noções do que seja a ciência. De um lado, um conteúdo amplo: a ciência vinculada ao conhecimento propriamente dito. Este é um casamento entre sabedoria e virtude. De outro lado, a ciência vinculada a um conhecimento específico. Resultante de uma ou outra investigação, encontramos as muitas ciências. Este é um conceito caro à modernidade e ao acumulo de conhecimentos obtidos pelas instituições de pesquisa profissional. Para efeitos de clareza, chamaremos o primeiro conceito de Ciência e o segundo de ciência.

Cairá em contradição quem pretende rejeitar a ciência em nome da Ciência. Ao fazê-lo o sujeito ofenderá a própria Ciência. Afinal, as diversas ciências aumentam o poder da razão humana em geral. A fabricação do conhecimento é também condição para a sua utilidade. Tão ignorante é quem arroga superioridade da ciência por sobre a Ciência. Eis o tipo de cientista míope dentro de sua própria bolha. A Ciência advém de tudo o que uma vida individual é capaz de absorver na reflexão do todo existente. Já a ciência é menos absorção do que uma fabricação de conhecimentos pontuais localizados na fronteira daquilo que já se conheceu até hoje.

Quando dedicamos boa parte de nossas vidas para aumentarmos o nosso conhecimento, estamos, agora, mais aptos a tomar decisões, a enfrentar desafios e, enfim, a agir corretamente. No entanto, quando as comunidades de pesquisadores se reúnem em congressos científicos, realizam debates acerca de pesquisas, os resultados e os processos de fabricação das mesmas. A Ciência está entre a teoria e a prática, enquanto a ciência está entre a teoria e o objeto investigado. O primeiro caso coloca a ciência ao lado da ética, porque visa o que é melhor. Já o segundo caso coloca a ética ao lado da ciência, porque a evolução do conhecimento é o fim primário.

Nos congressos científicos, a evolução do mundo é um pano de fundo, um objetivo evidente, porém secundário. Acontece diferente com as assembleias políticas, o fórum no qual o resultado das ações é o que prevalece como argumento de convencimento. Gostaríamos que a Ciência estivesse presente tanto na discussão epistêmica como na discussão política. O progresso da ciência empírica não garante a melhoria da humanidade, assim como a ação é a prova mais concreta do teu pensamento. O conceito amplo de ciência é manifestado apenas no momento da ação.

Nenhuma das duas versões pode ser dissociada da aplicação. Isto quer dizer que o uso é, ao final das contas, o sentido da ciência. Ambas reconhecem que a ciência está ao serviço da prática humana. Mas além da ciência, a prática exige arte. Lembremo-nos da antiguidade helena. Os atenienses educavam as crianças em música, porque, diferente dos espartanos, acreditavam que a ginástica não era suficiente para promover uma boa sociedade. Já a matemática ou a astronomia era coisa que só aprendia quem frequentasse escolas de filosofia – algo que não existia em Esparta. A medicina, a náutica, a estratégia eram consideradas artes, isto é, habilidades que se aprende com a experiência. Precisamos chamar atenção para o um falso pressuposto de que a ciência empírica deva guiar a ação. Mas ela deve poder ser um instrumento da reflexão.

Rerum

30 Outubro, 2012

Do caminho natural
no menor espaço a
suficiência
Úmido broto sobre o outro
Encobertos detalhes silenciosos
cercados pela imunidade do ser